Da redação
São Paulo – Um dia depois de os Estados Unidos terem aberto uma nova licitação no valor de US$ 6 bilhões para a reconstrução do Iraque, o país foi admitido como observador na Organização Mundial do Comércio (OMC). O anúncio formal aconteceu ontem, informaram agências internacionais. O pedido contava com o apoio da União Européia e dos Estados Unidos.
"Esse é um passo importante no sentido de integrar o Iraque à economia global", afirmou o diretor geral de relações econômicas externas do país, Ahmad Al-Muktar. Ele acrescentou que o país quer iniciar o processo de integração à OMC "o mais rápido possível".
De acordo com a agência de notícias árabe Mena Report, o status de observador é o primeiro passo para que um país possa integrar a OMC. A agência informou ainda que, pelas regras da organização, num prazo máximo de cinco anos o Iraque precisa iniciar os processos de negociação para se tornar membro permanente do organismo.
Em coletiva logo após o anúncio da OMC, o vice-representante de comércio dos EUA, embaixador Peter Allgeier, disse que a medida deverá "impulsionar as reformas internas no Iraque, na medida em que a população vir que tipo de disciplina e transparência temos na OMC". Para Al-Muktar, o fato de o Iraque ter se transformado em observador do organismo terá um "impacto psicológico positivo".
Embaixada brasileira
Também nesta quinta-feira (12), o Itamaraty confirmou a intenção de reabrir a embaixada brasileira em Bagdá. A representação diplomática do Brasil na capital iraquiana foi fechada há 13 anos, na guerra do Kuwait. O objetivo é facilitar a participação de empresas brasileiras na reconstrução do país.
A assessoria de comunicação social do Ministério das Relações Exteriores informou à ANBA que irá enviar uma missão à cidade "em breve" para avaliar as condições do prédio da embaixada. Não há prazo definido nem para o envio da missão, nem para a volta das atividades do posto diplomático.
Apesar do projeto de reabrir a embaixada em Bagdá, o governo brasileiro ainda não convidou o Iraque para participar da reunião de cúpula entre chefes de estado de países árabes e sul-americanos, que foi proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e está programada para ser realizada no segundo semestre deste ano.
O Iraque não foi chamado para participar da primeira reunião preparatória para a cúpula, que aconteceu no final de janeiro em Genebra, na Suíça. De acordo com o Itamaraty, isso ocorreu porque o país, que é administrado pelos Estados Unidos, ainda não é reconhecido como "plenamente" independente nem pela Liga dos Estados Árabes, organização que representa os 22 países árabes do Oriente Médio e Norte da África.
O Itamaraty ressaltou, porém, que isso não significa que o Iraque ficará de fora da cúpula. Para o Ministério, a situação do país ainda está indefinida e, se o governo local passar a ser reconhecido por outras nações árabes, poderá ser convidado para a reunião.

