Erbil, Iraque – Entre os expositores do pavilhão brasileiro na Feira Internacional de Erbil, no Iraque, estão duas indústrias de produtos médicos e hospitalares que têm negócios no mundo árabe: a Fanem e a Magnamed, ambas de São Paulo. “O Iraque é um bom mercado, mas difícil”, disse o gerente regional da Fanem para o Oriente Médio, Abed Mihyar, nesta terça-feira (24), segundo dia da mostra.
Bom porque há grande demanda por itens para hospitais, mas difícil por causa da insegurança que reina no país, o que atrapalha o trabalho de pós-venda. “São produtos que precisam de assistência, mas a situação no Iraque não permite fazer isso direito. Nós fazemos, mas não do jeito que gostaríamos”, declarou Mihyar.
A Fanem já vende para o Iraque. Os produtos em exposição no estande, por exemplo, foram trazidos pelo distribuidor em Erbil, Ehsan Taj, e a empresa tem até estoque para pronta entrega em Bagdá. “Se não tiver produtos para pronta entrega, não há chance de fazer negócios aqui”, afirmou o gerente, que tem escritório na vizinha Jordânia.
A Magnamed, por sua vez, ainda não exporta para o Iraque, mas o representante da companhia para os países árabes, Adnan Abaji, sírio que vive no Líbano, avalia que há demanda. “Há muitos hospitais em Erbil”, declarou ele sobre a capital da região do Curdistão, no norte do país.
Para Mihyar, Erbil se tornou o melhor lugar do Iraque para se fazer negócios, pois a região autônoma do Curdistão goza da estabilidade e da segurança que faltam em ouras partes do país. “Além disso, a demanda está crescendo e o orçamento [local] está melhorando. É fácil visitar as cidades e seus hospitais”, declarou.
Ambos avaliam, porém, que para o tipo de atividade das empresas seria melhor expor em um evento especializado na área de saúde, com a presença de especialistas do setor. A Feira Internacional de Erbil é multissetorial e as duas companhias dividem espaço no estande brasileiro com expositores de outros segmentos.
Licitações
Um dos maiores interesses das companhias são as licitações estatais para compra de equipamentos hospitalares. “Nós fazemos negócios com o setor privado, mas os grandes pedidos são os do governo”, destacou Mihyar.
A Magnamed ganhou recentemente uma concorrência na Tunísia para fornecer 250 mil respiradores este ano e no próximo. “Pode ser que exista [esta oportunidade] aqui também, mas precisamos ver, precisamos de um agente para verificar isso melhor”, observou Abaji.
A Fanem já tem um agente nacional, além do distribuidor em Erbil, mas Mihyar informou que há um empecilho para as empresas brasileiras: a maioria das licitações permite participação apenas de produtos da Europa, Estados Unidos e Japão.
“Se você pergunta o porquê, eles dizem: ‘Porque não queremos produtos chineses’”, ressaltou o gerente. “Mas nossos produtos não são chineses, são brasileiros, temos tecnologia e qualidade, não podemos ser comparados aos chineses”, acrescentou.
Por esta razão, segundo ele, a empresa vende ao Iraque menos do que poderia. São cerca de US$ 500 mil em exportações anuais, mas poderia ser US$ 1 milhão, diz Mihyar. Em sua avaliação, a embaixada do Brasil e a Câmara de Comércio Árabe Brasileira podem ajudar a apresentar as mercadorias do País “de forma correta”.
A Câmara Árabe é a organizadora do estande do Brasil na Feira de Erbil ao lado da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). A mostra conta também com a participação do embaixador brasileiro em Bagdá, Anuar Nahes.


