São Paulo – O Iraque irá retomar as importações de carne bovina congelada e enlatada do Brasil, que estavam suspensas. O fim do embargo foi anunciado na noite de segunda-feira (02) em nota divulgada pelo Itamaraty.
“A reabertura do mercado iraquiano, resultado de esforços conjuntos dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atesta a qualidade do produto brasileiro e a eficácia dos controles sanitários nacionais, já reconhecidas por outros parceiros comerciais. O Iraque deverá, assim, retomar seu lugar como importante destino das exportações de carne brasileiras”, afirma o documento do Itamaraty. A medida foi adotada pelo Ministério da Saúde do país árabe.
De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), as exportações ao Iraque estavam suspensas desde dezembro de 2012 em razão de dois casos atípicos da encefalopatia espongiforme bovina (ECP), também conhecido como mal da vaca louca. Um deles foi confirmado em dezembro 2012 em um animal do rebanho paranaense. O outro caso, no Mato Grosso, em 2014.
Para dar uma ideia do tamanho do mercado, as exportações brasileiras de carne congelada ao Iraque somaram US$ 23,4 milhões em 2012, antes da proibição. No caso da carne processada, o Brasil exportou o equivalente a US$ 1,827 milhão aos iraquianos em 2011, depois US$ 543,5 mil em 2012. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
A carne a ser exportada deverá ser sadia e ser de animal que não tenha sido alimentado com farinha de carne, pó de ossos, gordura animal seca nem sedimentos de proteínas derivadas de ruminantes. Os rebanhos no Brasil não são alimentados com ração de origem animal. A carne não deverá ser desossada mecanicamente nem ser procedente de animal com mais de 30 meses de idade.
O diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, afirmou que a iniciativa é “bem-vinda” e poderá levar ao aumento das exportações para o Iraque. Ele observou, contudo, que a influência sobre outros países que ainda mantêm embargo à carne brasileira é pequena.
As nações do Golfo costumam acompanhar decisões adotadas pela Arábia Saudita, que ainda mantém embargo à carne brasileira em consequência do caso revelado em 2012. Os sauditas ainda não retomaram a compra de carne bovina.


