Foz do Iguaçu – A Itaipu Binacional, empresa que administra a hidrelétrica de mesmo nome, pretende desenvolver projetos de cooperação com países árabes, disse o diretor geral brasileiro da companhia, Jorge Samek, durante visita do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil à usina, nesta quarta-feira (06).
"Queremos elaborar documentos para viabilizar o intercâmbio em áreas como produção tecnológica, preservação ambiental, desenvolvimento regional, turismo, entre outras", afirmou o executivo à ANBA. A Itaipu tem um Parque Tecnológico (PTI) que promove ações em diferentes setores, desde pesquisas em energias alternativas até educação universitária.
Ele citou alguns exemplos, como o desenvolvimento de carros elétricos em parceria com a Fiat e a própria experiência de Itaipu como resultado de cooperação internacional. A usina pertence ao Brasil e ao Paraguai e fica na fronteira entre os dois países, no Rio Paraná.
"[Itaipu] é uma experiência exitosa e é a única [usina] do mundo com essas características", declarou Samek. “Quando há boa vontade podemos tirar grande proveito”, acrescentou.
Itaipu foi durante quase três décadas a maior hidrelétrica do mundo, até perder o posto recentemente para a usina de Três Gargantas, na China. A empresa garante, porém, que continua a ser a maior em geração de energia, com 14 mil watts de capacidade. O complexo fornece 20% da energia consumida no Brasil e 90% das necessidades do Paraguai.
"Esperamos ser uma parte dessa cooperação [entre países]", disse o decano do Conselho e embaixador da Jordânia, Ramez Goussous. Para ele, “será de vital importância aproveitar” a experiência de Itaipu em áreas como preservação ambiental e energias alternativas. “Especialmente no meu país, cuja única energia é a humana”, destacou.
A Jordânia, ao contrário de outras nações do Oriente Médio, não é rica em petróleo e os recursos hídricos são escassos. O rio Jordão é uma das únicas fontes de água doce e tem que ser partilhado com Israel e Palestina.
O embaixador palestino, Ibrahim Alzeben, é um entusiasta da cooperação com Itaipu e até obteve o apoio do prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo Mac Donald (PDT), para uma campanha em prol da despoluição do Jordão. “Seria importante o intercâmbio tecnológico com vocês (países árabes)”, ressaltou o prefeito, que acompanhou a visita.
A ideia, de acordo com Goussous, é que a empresa assine memorandos de entendimento bilaterais com cada país interessado, e ele acredita que a maioria tem interesse, senão todos.
O embaixador da Argélia, Djamel Eddine Bennaoum, por exemplo, informou que, apesar de majoritariamente desértico, seu país tem no subsolo um aquífero de grande potencial. A profundidade é menor do que a de um poço de petróleo, segundo ele, mas para explorá-lo é preciso firmar acordos com nações vizinhas que partilham a reserva.
Já o embaixador do Sudão, Abd Elghani Elkarim, disse que seu país tem um potencial hídrico ainda inexplorado, além de ter interesse em fontes alternativas de energia.
Na área da usina, os diplomatas tiveram também uma reunião com representantes do poder público, do PTI, da comunidade árabe e do setor de turismo de Foz do Iguaçu, e cada um plantou uma árvore.
A cidade recebe cerca de 4,5 milhões de visitantes por ano, que buscam as atrações das Cataratas e do Parque Nacional do Iguaçu, de Itaipu e das compras nos vizinhos Paraguai e Argentina. A cidade paranaense fica na chamada tríplice fronteira.
Os embaixadores ainda visitaram a mesquita Omar Ibn Al-Khatab, construída na década de 80 pela comunidade de origem árabe, principalmente libanesa.
Nessa quinta-feira eles vão visitar as cataratas. A passagem por Foz do Iguaçu encerra a viagem de quatro dias dos embaixadores ao Paraná. “A visita foi um sucesso, abriu novos horizontes para o mundo árabe, a colaboração [internacional] vai aumentar. O Paraná tem muito potencial e Itaipu em particular tem muito a oferecer”, declarou Goussous.
Na segunda e na terça-feira os diplomatas estiveram em Curitiba, onde se encontraram com empresários e representantes dos governos municipal e estadual.

