São Paulo – O Itamaraty promoveu na semana passada uma reunião em Brasília para debater as relações com a Líbia, às vésperas do embaixador Afonso Carbonar assumir a representação diplomática do Brasil em Trípoli. Estiveram no encontro 65 pessoas, entre representantes de órgãos do governo, empresas e outras instituições, como o CEO da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby.
De acordo com o relato de Alaby, o subsecretário-geral Político do Itamaraty para o Oriente Médio e África, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, disse que há um interesse mútuo dos dois países de desenvolver as relações econômicas. A embaixada brasileira em Trípoli já foi reaberta.
Carbonar pretende assumir o posto em setembro e vai definir um cronograma de trabalho para o resto do ano, inclusive com a possibilidade de receber delegações do governo e de empresas. No sábado (07) será realizada a primeira eleição parlamentar no país após os mais de 40 anos do regime de Muamar Kadafi.
O embaixador Cesário Melantônio, representante do Brasil para assuntos do Oriente Médio, ressaltou que, além das relações econômicas, o governo brasileiro pode apoiar a Líbia em áreas como o controle de armamentos. Outras frentes passíveis de cooperação são a segurança alimentar e programas de transferência de renda.
Segundo Alaby, o economista José Carlos de Assis, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comentou que a Líbia tem a sétima maior reserva de petróleo do mundo, uma população de seis milhões de pessoas e, até o conflito do ano passado, um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
O acadêmico acrescentou que hoje o país tem sérios desafios, como desarmar minas terrestres, combater o desemprego, promover a educação e o sistema de saúde, desenvolver o Judiciário e reconstruir sua infraestrutura.

