Isaura Daniel
São Paulo – O Ministério das Relações Exteriores do Brasil espera a participação de cerca de 200 empresários árabes para as atividades paralelas à cúpula dos países árabes e sul-americanos. A projeção é do embaixador Mario Vilalva, diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, que esteve ontem na Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), em São Paulo, para falar sobre o tema. A reunião de chefes de estado vai ocorrer nos dias 10 e 11 de maio em Brasília. As atividades voltadas ao público empresarial – feira de investimentos, seminários e encontros de negócios – começam antes, no dia 9, e seguem até o dia 11.
Na cúpula poderá ser assinado um acordo quadro, que dará início às negociações por um tratado de preferências tarifárias, entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), formado por Bahrein, Kuwait, Catar, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O anúncio foi feito pelo chanceler Celso Amorim, na sua última viagem aos países árabes. De acordo com Vilalva, o secretário-geral do Conselho, Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyad, foi convidado para vir ao Brasil uma semana antes da cúpula para conversar com representantes do Mercosul sobre o tema.
O encontro de maio deverá estreitar relações entre as duas regiões, tanto na área diplomática quanto comercial. "O que se quer neste momento é formar uma nova rede de contatos, fazer com que empresários árabes e brasileiros se conheçam", diz Vilalva. No local do encontro haverá um centro de serviços, por meio do qual empresários árabes e brasileiros poderão procurar potenciais parceiros comerciais para conversar e negociar. Intérpretes e intermediadores estarão trabalhando para unir empresários com interesses comuns. Haverá salas próprias para estes encontros. Não haverá em Brasília, porém, rodadas de negócios coletivas previamente preparadas.
No seminário que vai abrir as atividades do dia 9 serão abordados quatro temas: os mecanismos de integração, como acordos e tarifas, que já possuem cada uma das regiões e países; as perspectivas de aumento do fluxo comercial; a legislação e as oportunidades de investimentos; além da aproximação cultura e turística.
"Queremos que o estreitamento dos laços culturais também sirva para gerar negócios", diz o embaixador. Os seminários terão a presença de ministros de estado dos organismos e blocos que estarão representados na cúpula, como Mercosul, Liga Árabe, GCC e Comunidade Andina (CAN).
O Itamaraty também está convidando para vir à cúpula representantes de 35 instituições financeiras, nas quais os empresários árabes alocam um grande volume de investimentos. São bancos estrangeiros e árabes administradores de fundos. Eles foram identificados por meio de uma pesquisa encomendada pelo Itamaraty a uma empresa britânica de consultoria.
Entre os dias 9 e 11 também será feita uma feira de investimentos, na qual os 34 países sul-americanos e árabes da cúpula terão estandes de 25 metros quadrados. Ali eles poderão apresentar desde oportunidades de investimentos até potencial turístico dos seus países.
Novo eixo
Vilalva afirma que a cúpula servirá para tornar mais estáveis as relações comerciais entre o Brasil e os países árabes e formar um novo eixo de política externa, assim como já existe com outras regiões do mundo, como a Europa.
As inscrições de empresários brasileiros e estrangeiros para atividades paralelas à cúpula já estão abertas no site www.braziltradenet.gov.br. A participação é gratuita. No site também há informações sobre questões de ordem prática, como hospedagem e concessão de vistos.

