Alexandre Rocha
São Paulo – A Iveco, montadora de caminhões que pertence à Fiat, fechou recentemente um contrato de 20 milhões de euros com a cidade do Cairo, no Egito, para fornecer 400 caminhões que serão utilizados na coleta de lixo. Os veículos começaram a ser entregues em setembro. Segundo informações da própria empresa, a Iveco detém 30% do mercado egípcio de caminhões.
O pedido será atendido pela matriz da companhia na Itália, mas os modelos EuroCargo e Eurotrakker, caminhões pesados que vão ser utilizados no Egito, são também comercializados no Brasil. Aliás, a fábrica da empresa localizada em Sete Lagoas, em Minas Gerais, já produz o EuroCargo e em breve começará a fabricar também o Eurotrakker.
"Todos os produtos da empresa hoje são nivelados mundialmente para qualquer unidade poder exportar para onde bem entender", disse à ANBA o diretor comercial da subsidiária brasileira da Iveco, Vicente Goduto Filho.
Instalada em 1997, a Iveco do Brasil não vende para os árabes, mas exporta 50% de sua produção. Num momento em que a indústria brasileira de veículos volta a ter lucro, após alguns anos de prejuízo, a Iveco faz planos de ampliar sua participação no mercado brasileiro e as suas exportações.
"Nós fizemos investimentos bastante pesados na fábrica do Brasil e vamos investir mais", disse Goduto. Desde o início de suas operações, a companhia já investiu mais de R$ 1 bilhão no país, fato que demonstra a importância atual do mercado brasileiro, uma vez que a divisão de caminhões da Fiat já teve uma experiência não muito bem sucedida no Brasil na década de 80. Hoje as operações da empresa geram 900 empregos diretos e indiretos no país.
A Iveco do Brasil exporta atualmente para a Venezuela, para a Colômbia e para a Argentina, mas já planeja começar a vender para o México e, no futuro próximo, para toda a América Central. "Nossa preocupação hoje é atender toda a América", afirmou executivo. Nada impede, porém, que no futuro a empresa comece a fornecer para outros mercados.
Como exemplo, Goduto citou a fábrica da companhia instalada em Córdoba, na Argentina. Até recentemente a unidade abastecia de caminhões pesados o mercado brasileiro. Com a inauguração de uma nova linha de montagem em Sete Lagoas, em maio deste ano, e o início da fabricação deste tipo de veículo no Brasil, a produção da planta argentina foi desviada para atender a África do Sul.
A Iveco tem hoje 48 fábricas ao redor do mundo e, de acordo com Goduto, qualquer uma delas pode ser acionada para suprir a demanda de um mercado anteriormente coberto por outra.
Produção nacional
Atualmente a Iveco produz no Brasil, segundo o executivo, 500 veículos comerciais médios e leves por mês, entre caminhões, furgões e chassis para microônibus. Fora isso, até o final do ano 1.650 caminhões pesados devem sair da fábrica, além de 15 mil motores diesel, que são utilizados em seus veículos próprios, mas são fornecidos também para a Peugeot e para a Renault.
A fábrica, no entanto, tem condições de produzir três vezes mais, e a produção deve crescer. Já em 2005, por exemplo, a Iveco pretende fabricar 2,5 mil caminhões pesados. A produção de motores, por sua vez, pode chegar a 45 mil em 2006, segundo Goduto.
Isto porque, além de ter planos de exportar mais, a empresa já começa a ganhar mais espaço no Brasil e acredita no potencial de crescimento do mercado interno. Segundo Goduto, há dois anos a Iveco tinha 3% do mercado brasileiro de caminhões pesados, percentual que deverá chegar a 6% até o final de 2004 e, ele acredita, a 8% no próximo ano. No caso dos veículos médios e leves, a participação da empresa era de 12% há dois anos e agora está em 14%.
Com o reaquecimento da economia brasileira verificado este ano, o executivo disse que ocorreu um "boom" no mercado de caminhões, que andava meio estagnado há algum tempo. De acordo com ele, nos últimos 12 anos foram vendidos entre 65 mil e 72 mil caminhões por ano no Brasil. Em 2004, porém, Goduto acredita que serão vendidos 100 mil caminhões no mercado brasileiro.
"A retomada do crescimento econômico criou uma demanda fantástica que ninguém estava preparado para atender. Desde maio nós tivemos que triplicar a produção, e os nossos concorrentes também", afirmou.
Por causa disso, e empresa espera crescer 25% em 2005. No ano passado, a Iveco do Brasil faturou R$ 247 milhões no mercado interno. "E esta é uma previsão feita com os pés no chão", garantiu o executivo.

