Amã – A Jordânia promove atualmente um programa para incentivar a instalação de empresas no país. Por meio de “zonas de desenvolvimento”, espécies de zonas francas, o governo concede uma série de benefícios para empreendedores nas áreas de indústria, serviços, comércio, turismo, imóveis, tecnologia e pesquisa.
Entre os incentivos estão a isenção de impostos na aquisição de produtos e serviços necessários aos negócios, de taxas de importação, de tributos sobre o pagamento de dividendos e de contribuições sociais. Há apenas a cobrança de 5% de imposto sobre a renda obtida dentro da zona franca.
A Lei das Zonas de Desenvolvimento, aprovada pelo Parlamento Jordaniano no ano passado, prevê processos fáceis e rápidos para abertura de empresas, livre trânsito de capitais e delega a gerência das áreas ao setor privado.
“Devemos sair do caminho e deixar o setor privado desenvolver [as áreas]”, disse o comissário chefe da Comissão de Zonas de Desenvolvimento do governo jordaniano, Saleh Kilani, durante apresentação feita na segunda-feira (09), em Amã, à delegação empresarial brasileira que está em visita ao país.
Segundo o CEO da King Hussein Bin Talal Development Area (KHBTDA), Rami Al Qusus, responsável por três desses empreendimentos, o governo tem como meta dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) da Jordânia em 10 anos, e um dos meios para atingir tal objetivo é ampliar as exportações de bens e serviços.
De acordo com Kilani, cada uma das áreas vai abrigar setores específicos, dependendo da vocação econômica da região onde estão instaladas e da demanda dos mercados que se pretende atingir.
Complexo
A delegação brasileira, liderada pelo presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, visitou um desses empreendimentos, localizado em Amã. Trata-se do recém criado King Hussein Business Park, voltado para os setores de saúde, informática, telecomunicações, mídia, educação, segurança e outros serviços.
Concluído há cerca de dois meses, o complexo de prédios de escritório foi projetado inicialmente para abrigar o comando militar do país, mas durante a construção os planos mudaram e agora ele vai receber empresas. A estrutura está completa, são 13 prédios comerciais, auditório, ginásio, instalações para transmissões de TV, cabeamento com fibra ótica e até um bunker que será utilizado para proteger equipamentos sensíveis, como servidores.
Um dos prédios, que deveria abrigar as áreas de trabalho dos oficiais, agora vai receber escritórios de luxo, lojas e restaurantes. O alojamento dos oficiais será transformado em hotel de quatro estrelas, e o dos soldados em centro de treinamento profissional e incubadora de empresas.
Localizado numa área nova e valorizada da capital, com shopping centers e prédios comerciais, os aluguéis dentro do complexo são em média 35% mais baratos do que fora dele.
Por enquanto, lá só funcionam a sede da Comissão de Zonas de Desenvolvimento e o escritório de consultoria financeira PanBuck, do norte-americano Robert Starbuck, que não poupou elogios ao projeto.
“Ainda não começamos a fazer o marketing [da área]”, disse Rami Al Qusus, acrescentando que a administração do local vai ficar a cargo da empresa norte-americana Hines. “É importante fazer roadshows para promover [as zonas de desenvolvimento]”, observou Salim Schahin.
Os três empreendimentos sob responsabilidade de Qusus são financiados pelo fundo de pensão estatal da Jordânia, que por força de lei só pode realizar investimentos no país.
Outra zona de desenvolvimento fica em Mafraq, 60 quilômetros a nordeste de Amã, e tem como focos as indústrias médias e leves e o setor de logística. Segundo Qusus, já existem 14 fábricas em operação ou construção no local, sendo que seis foram iniciadas após o estouro da crise financeira internacional.
De acordo com o executivo, a área fica num ponto estratégico que dá acesso às fronteiras do Iraque, Síria e Arábia Saudita. Além da ligação rodoviária, uma antiga base aérea militar próxima será convertida em aeroporto de cargas, e existe o projeto de construção de uma rede ferroviária.
O terceiro empreendimento é a Área de Desenvolvimento de Irbid, no norte do país. Próxima a quatro das maiores universidades jordanianas, ela é destinada aos ramos de informática, telecomunicações, saúde e pesquisa e desenvolvimento. Qusus destacou que os aluguéis na área correspondem a 25% dos preços pagos em Amã.
Estão em desenvolvimento outras três zonas francas, uma em Ma’an, 210 quilômetros ao Sul de Amã, e outras duas voltadas ao setor de turismo, uma no Mar Morto e outra na região montanhosa de Ajloun, ao norte da capital. O programa das áreas de desenvolvimento foi iniciado em 2006, com base numa experiência considerada bem sucedida realizada em Ácaba, na costa do Mar Vermelho.
Mais informações:
Jordan Investment Board
WWW.jordaninvestment.com
King Hussein Bin Talal Development Area
www.kinghusseinzone.com
Development Zones Commission
www.dzc.jo

