São Paulo – No Fórum Comercial Brasil-Jordânia, realizado em São Paulo nesta sexta-feira (24), foram apresentados os setores com maiores oportunidades de negócios no país árabe. “A Jordânia tem passado por um grande processo de reforma para facilitar investimentos”, afirmou o ministro jordaniano da Indústria e Comércio, Amer Al Hadidi, a empresários brasileiros. Entre os segmentos detalhados no encontro estão os de turismo, farmacêutico e tecnologia da informação. O debate foi mediado pelo secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby.
O setor de turismo, por exemplo, gera ao ano em torno de US$ 1,55 bilhão. No ano passado, foram investidos US$ 3 bilhões na área, o que representou um aumento de 21% em relação a 2006. Segundo o CEO do Conselho de Turismo da Jordânia, Nayef Al Fayez, o segmento representa 21% do Produto Interno Bruto do país. Nos primeiros oito meses de 2008, 2,5 milhões de turistas visitaram a Jordânia, 59% a mais que no mesmo período do ano passado.
Os principais países de origem dos turistas são árabes, sendo 58% do Barhein. “A Jordânia é um destino muito procurado por sua estabilidade (política), localização estratégica e diversos vôos internacionais”, disse Fayez. O país tem três aeroportos internacionais e mais de 25 empresas aéreas mantêm vôos para lá. No setor hoteleiro, o país conta com mais de 500 hotéis de 3 a 5 estrelas e 22 mil quartos, sendo que a meta é chegar em 30 mil até 2013.
Com 92 mil quilômetros quadrados de extensão, o país oferece aos visitantes diversos sítios arqueológicos, passeios no deserto, spas luxuosos, reservas naturais, produtos do Mar Morto e centros de compras. Para promover o setor, a Jordânia conta ainda com escritórios em 10 países. Além disso, a cidade de Petra é considerada uma das sete novas maravilhas do mundo. “Estamos buscando mercados potencias. Nossa visita aqui prova que podemos atrair não só mais negócios e investimentos, como turistas”, acrescentou Fayez.
Outro setor apresentado aos empresários foi o farmacêutico. Segundo o diretor do grupo farmacêutico Dar Al Dawa, Saher Hamarneh, 75% da produção é exportada para mais de 70 países, principalmente do Norte da África e Oriente Médio. A Jordânia conta com 16 indústrias farmacêuticas e mais 17 subsidiárias de multinacionais. “É um mercado que representa US$ 325 milhões”, disse o diretor. No ano passado, o setor exportou US$ 500 milhões.
Com 2 mil farmácias no país e 120 agentes e distribuidores, a Jordânia tem parcerias com grandes indústrias, como Roche, Orion, Pfizer, Novartis, Sanofi-Aventis, Merck, entre outras. “Uma de nossas vantagens é a competitividade em termos de custo de produção”, afirmou Hamarneh.
O setor de tecnologia da informação é outro que está em expansão no país árabe. De acordo com o presidente da Associação Jordaniana da Tecnologia da Informação, Marwan Jumaa, o país tem um dos maiores graus de alfabetização e tem grande preocupação em aplicar tecnologia nas salas de aula. “A penetração de e-learning nas escolas é muito alta. O rei Abdullah II tem bastante preocupação com o tema”, disse Jumaa. Segundo ele, até o final do ano a tecnologia 3G já vai estar aplicada na Jordânia.
Investimentos
Um dos maiores objetivos da vinda da delegação jordaniana ao Brasil é a atração de investimentos. De acordo com o CEO do Conselho de Investimentos da Jordânia (JIB, na sigla em inglês), Maen Nsour, o país tem acesso a um mercado de um bilhão de pessoas devido aos acordos comerciais com Estados Unidos, países da Europa e África. “A Jordânia pode ser uma porta para o Brasil”, afirmou.
Os principais parceiros comerciais do país são Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos. Os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 3,8 bilhões no ano passado e segundo o CEO, o número deve aumentar este ano. O PIB do país é de US$ 10 bilhões e tem crescido entre 6% e 7% ao ano.
De acordo com Nsour, em 2005 a Jordânia estava na 13ª posição no Índice de Desenvolvimento Financeiro e no ano passado saltou para 6ª posição. “A Jordânia é considerada um país que está na frente para atrair investimentos”, disse.
Acordos
Durante as apresentações foram assinados três acordos. O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., o gerente-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Frederico Álvares, o presidente da Câmara de Comércio da Jordânia, Haider Murad, e o presidente da Câmara da Indústria da Jordânia, Hatem Al-Halwani, firmaram um convênio para fomentar o comércio entre os dois países.
O gerente de investimentos da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex) assinou um acordo com o CEO do JIB para promoção de feiras de negócios e missões. O terceiro acordo foi assinado pelo grupo jordaniano de cosméticos Munir Sukhtian com a empresa brasileira do mesmo setor Pharma Vital para a criação de uma joint-venture, conforme já noticiado pela ANBA.

