Ácaba, Jordânia – O rei da Jordânia, Abdullah II, recebeu nesta quinta-feira (12) a delegação empresarial brasileira que está no país, liderada pelo presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin.
Na audiência, realizada no palácio real da cidade de Ácaba, localizada na costa do Mar Vermelho, o rei destacou que deseja fomentar as relações com o Brasil nas áreas de agricultura, mineração, energia e indústria aeronáutica, temas que já discutiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na visita que fez ao Brasil em outubro de 2008.
Segundo Abdullah II, a Jordânia pode aprender com as experiências brasileiras nesses setores e deu especial ênfase à indústria aeronáutica. “A indústria de aviões é de grande interesse para nós”, disse o monarca na reunião acompanhada pela reportagem da ANBA.
A Embraer foi representada no encontro pelo vice-presidente de suporte aos clientes da área de defesa na Europa, África e Oriente Médio, Ricardo Bester. A companhia brasileira já forneceu aviões comerciais à empresa aérea Royal Jordanian.
Agora o governo jordaniano quer atrair para o país o entreposto de peças de reposição que a Embraer pretende instalar no Oriente Médio, e tem interesse em adquirir aeronaves brasileiras para o setor de defesa.
O ministro da Indústria e Comércio, Amer Al Hadidi, presente no encontro, destacou que o Aeroporto Internacional de Amã teve um aumento de 20% no fluxo de passageiros, mesmo com a crise financeira mundial, e citou a zona franca do aeroporto como um local que pode receber o entreposto.
Ainda no ramo de defesa, o presidente da Condor, fábrica de armas não letais, Carlos Frederico de Aguiar, disse ao rei que sua empresa já fornece material ao exército e à polícia da Jordânia. Aguiar é também presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde).
Nos setores de agricultura e energia, o embaixador da Jordânia no Brasil, Ramez Goussous, informou ao monarca que está em contato com o governo brasileiro para dar início à cooperação bilateral na produção de etanol e biodiesel. O país árabe quer que a participação das fontes renováveis em sua matriz energética chegue a 10% até 2020.
Ainda na seara agrícola, o embaixador do Brasil em Amã, Fernando José de Abreu, destacou que há interesse de um consórcio que reúne mil cooperativas agrícolas brasileiras no fosfato e no potássio produzidos na Jordânia.
Salim Schahin falou sobre o potencial de aumento do turismo bilateral e contou sobre a novela “Viver a Vida”, da Rede Globo, que teve partes filmadas na Jordânia e deve aumentar o interesse dos brasileiros pelo país árabe.
Schahin ressaltou ainda que há vontade política do governo brasileiro em promover a chamada cooperação Sul-Sul, entre países em desenvolvimento, e recomendou que a Jordânia utilize a grande comunidade de origem árabe existente no Brasil como facilitadora dos negócios bilaterais.
Ele lembrou que o comércio entre o Brasil e os países do Oriente Médio e Norte da África praticamente dobrou de 2005 a 2008, passando de US$ 10,5 bilhões para US$ 20,3 bilhões.
Participaram também do encontro com o rei, o príncipe Faisal Bin Al Hussein, irmão de Abdullah II, o chefe da Corte Real, Nasser Lozi, o diretor do Departamento de Assuntos Internacionais da Corte, Jafar Hassan, o assessor do monarca, Ayman Safadi, e o diretor da Câmara Árabe, Mustapha Abdouni, que é também cônsul honorário da Jordânia em São Paulo.
Área de desenvolvimento
A delegação brasileira ainda visitou a sede Zona Econômica Especial de Ácaba, espécie de zona franca, onde assistiu a uma apresentação feita pelo comissário de meio ambiente da agência responsável pelo empreendimento, Salim Al Moghrabi.
A área é destinada a projetos turísticos, hoteleiros, industriais e portuários. Segundo Moghrabi, desde 2001 a zona especial já recebeu US$ 18 milhões em investimentos, sendo que inicialmente a projeção era de conseguir atrair US$ 6 bilhões até 2020. A idéia é desenvolver ao máximo a única área de costa da Jordânia, que tem apenas 27 quilômetros de extensão.

