Amã – O governo da Jordânia espera ver o PIB per capita do país dobrar até 2017, hoje em US$ 3,27 mil. Para atingir este objetivo, os jordanianos promovem uma série de ações para atrair investimentos estrangeiros diretos, têm projetos de infraestrutura e de desenvolvimento da educação e dos serviços de saúde.
Parte dessas iniciativas foi apresentada neste domingo (08), à delegação empresarial brasileira que está em visita ao país, pelo CEO da Jordan Investment Board (JIB), Maen Nsour. A JIB é a agência responsável por promover os investimentos estrangeiros na Jordânia.
O marketing jordaniano é feito sobre algumas vantagens oferecidas pelo país, como sua estabilidade política numa região marcada por conflitos, sua localização, os acordos de comércio que tem com outras nações e blocos econômicos e que permitem o acesso a diferentes mercados, além de incentivos oficiais.
“Nós nos consideramos uma porta de entrada para a região, especialmente para os mercados do Iraque e da Palestina”, disse Nsour. A Jordânia faz fronteira com Iraque, Israel e os territórios palestinos, Síria, Arábia Saudita e tem saída para o Mar Vermelho.
Segundo o executivo, apesar de ter uma população pequena, de cerca de seis milhões de habitantes, a Jordânia oferece, por sua localização e os acordos que tem, acesso a mercados que somam mais de um bilhão de pessoas. Entre os acordos comerciais em vigor, Nsour citou os assinados com os Estados Unidos, União Européia, Cingapura e Canadá.
Ele acrescentou que um novo tratado deverá ser firmado até o final do ano com a Turquia, fato noticiado pela imprensa local neste domingo, após encontro no sábado entre o primeiro-ministro jordaniano, Nader Dahabi, e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan.
Nsour acrescentou que a estabilidade do país o tornou pólo de atração de investidores do próprio Oriente Médio, especialmente da região do Golfo. “Os países do Golfo buscam ainda lugares para investir, e a maior parte dos investimentos estrangeiros aqui vem de lá”, declarou.
De acordo com ele, os investimentos estrangeiros que se beneficiaram da lei jordaniana de promoção de investimentos somaram US$ 3,2 bilhões em 2008, e o país espera fechar 2009 com um valor em torno de US$ 3 bilhões.
Alto valor
A busca é por setores que produzem mercadorias e serviços de alto valor agregado, como as indústrias automobilística, de material elétrico, de equipamentos para a área de energia, farmacêutica, têxtil, de material de construção, de cosméticos, a agroindústria, turismo, informática, telecomunicações, saúde e geração de energia.
No setor de energia, por exemplo, Nsour disse que o país pretende investir pesado em fontes alternativas e tecnologia nuclear. A idéia, segundo ele, é que em 2020, 10% da energia consumida no país venha de fontes renováveis, como solar e eólica. Hoje essa participação é muito pequena.
Na seara nuclear, o executivo afirmou que a Jordânia concentra 6% das reservas mundiais de urânio, o que cria oportunidades também na área de mineração. A primeira usina atômica do país está prevista para 2015. O xisto é outra fonte que os jordanianos pretendem promover.
No ramo de infraestrutura, ele destacou projetos de ferrovias e a ligação do Mar Vermelho com o Mar Morto. De acordo com Nsour, o Mar Morto está secando e poderá desaparecer até 2070 se não forem encontradas formas de abastecê-lo com água. Uma das soluções é a construção de um canal conectando-o ao Mar Vermelho. O empreendimento, em tese, resolveria o problema e ainda disponibilizaria água para consumo humano, por meio da dessalinização, e para geração de eletricidade.
Comércio
O CEO da Jordan Investment Board destacou que o comércio de seu país com o Brasil é pequeno, foram US$ 227 milhões em exportações brasileiras e US$ 9 milhões em exportações jordanianas em 2008. Como exemplo do potencial de crescimento das relações comerciais, ele contou que o comércio com os Estados Unidos saiu de US$ 200 milhões em 2002 para US$ 1,3 bilhão em 2008.
A Jordânia assinou no ano passado um acordo quadro com o Mercosul para dar início a negociações de num tratado de livre comércio. Deve demorar, no entanto, até esse objetivo ser atingido.
O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, que lidera a delegação do Brasil, ressaltou, porém, que há “vontade política” do governo brasileiro no aprofundamento das relações com os países árabes. Ele acrescentou que a entidade que dirige pretende auxiliar nessa estratégia no que for possível.
Participaram também da reunião o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, o diretor da entidade, Mustapha Abdouni, o primeiro secretário da embaixada brasileira em Amã, Rodrigo de Carvalho, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Carlos Frederico de Aguiar, que é também dono da Condor, fábrica de armamentos não letais; o vice-presidente de Suporte ao Cliente da Embraer para os Mercados de Defesa e Governo, Ricardo Bester, o embaixador da Jordânia no Brasil, Ramez Goussous, o CEO assistente da JIB, Issa Gammoh, a responsável pelo Departamento de Promoção de Investimentos da agência, Nour Al Hmoud, e o assessor do CEO, Elias Farraj.

