São Paulo – Jovens universitários sauditas e brasileiros reuniram-se nesta segunda-feira (27), na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), para debater o problema das favelas em seus países. O encontro faz parte da programação do Fórum da Juventude Saudita-Brasileiro, que segue até o dia 05. Durante o evento, os estudantes árabes puderam conhecer os dados sócio-econômicos sobre a população brasileira que mora em favelas, e comparar a situação com a vivida no país do Golfo.
Eles assistiram a uma palestra do diretor de Planejamento Urbano da Poli, Alex Abiko, que falou, entre outros temas, de um projeto da faculdade na Favela de Paraisópolis, na capital paulista, que será visitado pelos sauditas nesta terça-feira.
“Há muitos estrangeiros que vêm para o Haj e acabam ficando no país”, disse a saudita Sara Almaeena, de 23 anos. “Estas pessoas trazem suas famílias, e não temos como impedi-las de vir, mas o desafio é como lidar com elas”, destacou a jovem, graduada em marketing e que atua com movimentos sociais.
Ela acredita que o envolvimento da juventude é fundamental para a solução do problema das habitações irregulares. “Acho que os jovens devem ser mais ativos, contribuindo para a melhoria da sociedade”, declarou. O Haj é a peregrinação anual que ocorre à cidade de Meca e recebe milhões de muçulmanos de todo o mundo.
“É uma situação que não é fácil nem para o governo nem para as pessoas envolvidas”, afirmou Rana Aldeghaither, estudante de jornalismo de 22 anos. “Lá também temos problemas com segurança, não se pode andar sozinho à noite nas regiões mais pobres. Acho importante educar as pessoas antes de tirá-las da favela”, completou.
“Talvez, 90% das pessoas que vivem em favelas não sejam sauditas”, afirmou Alaa Al Hashim, estudante de Finanças de 23 anos, sobre a questão em seu país. “Eles [os estrangeiros] recebem um visto que é só para o Haj, mas acabam indo para o entorno da cidade”, explicou. “Muitos deles não têm qualificação profissional, e precisamos mandá-los de volta para seus países.”
Os 13 jovens participantes do programa foram escolhidos pelas próprias entidades educacionais sauditas, entre estudantes de cursos como Marketing, Arquitetura, Medicina, entre outros. O Brasil é o segundo país a fazer parte da programação do fórum, que é promovido pelo Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita. A primeira viagem foi para a China.
“O Brasil está se tornando cada vez mais importante para a Arábia Saudita”, destacou Jawaher Alsudayri, consultora do Ministério das Relações Exteriores do país árabe. “No Brasil, historicamente, a maioria dos descendentes de árabe são de famílias libanesas, poucos vêm do Golfo. Mas a relação que não se construiu antes está sendo construída agora, pelas relações econômicas entre o Brasil e países como a Arábia Saudita”, ressaltou Jawaher, sobre a escolha do país como alvo da visita dos estudantes.
A delegação, liderada pelo vice-ministro para Assuntos Econômicos e Culturais, Yousef Al Saadon, visitou, também nesta segunda-feira, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, onde foi recebida pelo presidente da instituição, Salim Taufic Schahin, pelo CEO da entidade, Michel Alaby, e pelo vice-presidente de Relações Internacionais, Helmi Nasser.
“Queremos que nossos jovens conheçam outras culturas. Eles são os líderes do futuro”, destacou Al Saadon. “Viemos para cá para que eles conheçam os jovens brasileiros e para que os jovens brasileiros os conheçam.”
“Precisamos que a juventude troque ideias”, destacou Schahin. “As conversas entre a juventude trará para nós um futuro melhor. Precisamos trazer para o mundo ideias brilhantes de gente jovem”, ressaltou.

