São Paulo – O mercado árabe respondeu por 8% das exportações do grupo Kepler Weber no ano passado. A empresa, líder em produtos para armazenagem de grãos no Brasil, divulgou o seu balanço na última semana, com resultados positivos tanto no mercado doméstico quanto externo. As exportações cresceram 80% sobre o ano anterior e ficaram em R$ 111,3 milhões. O faturamento da companhia, que tem sede em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, cresceu 119%, de R$ 170,7 milhões para R$ 374,4 milhões.
De acordo com o diretor comercial da empresa, Wilfried Toth, a maior parte – 80% – das exportações da Kepler Weber, em 2008, foram para América Latina, principalmente para Venezuela, Uruguai, Argentina, Bolívia, Paraguai e Chile. “Com a disparada do preço dos alimentos, a preocupação com segurança alimentar passou a ser prioritária para os governos. Os países que não são agrícolas precisam de capacidade de estocagem”, afirma o diretor comercial da Kepler Weber, explicando parte do bom desempenho da empresa.
As vendas no mercado árabe foram para Síria e Egito, sendo que os sírios compraram o maior volume. “O Egito é um mercado que estamos começando a desenvolver”, diz Toth. Os produtos vendidos foram para armazenagem de produtos agrícolas. No ano anterior, 2007, a empresa fez apenas uma pequena venda para a Síria. A Kepler Weber tem interesse, segundo o diretor comercial, de ampliar sua presença no mercado árabe.
O fato de 2008 ter sido um ano de investimentos na área agrícola e de a empresa ter estado no mercado com custo bastante ajustado favoreceram o desempenho. O grupo teve um ano de recuperação, após ter passado por anos difíceis. A Kepler Weber fez um investimento grande, com aquisição de dívidas, na abertura de uma unidade no Mato Grosso do Sul, em 2004, o que foi agravado com a crise no mercado de commodities, em 2005. Um acordo com acionistas e mudanças na composição do capital, em 2007, reverteram a situação.
No ano passado, a empresa recuperou a sua liderança no mercado e a sua lucratividade, saindo de um prejuízo de R$ 93,8 milhões em 2007 para um lucro antes de impostos de R$ 2 milhões. “A empresa voltou ao mercado, numa época de crise, com um custo bastante ajustado”, explica Toth. A marca forte, a qualidade e a melhoria nos prazos de entrega, de acordo com o executivo, garantiram a liderança e os resultados. O Ebitda da Kepler Weber totalizou R$ 52,2 milhões em 2008, com margem de 16% sobre a receita líquida.
Kepler Weber
A empresa tem capacidade para processar 100 mil toneladas de aço por ano e além da sede em Porto Alegre, tem unidades fabris em Panambi, interior gaúcho, Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, e em Bauru, interior paulista. Os produtos fabricados vão desde silos, secadores até transportadores e máquinas de limpeza e pré-limpeza. Também há soluções para pecuária leiteira – tanques de leite, ordenhadeiras – e instalações industriais como terminais portuários e armazenagem para malte.
A empresa foi criada em 1925 pelos irmãos Otto Kepler e Adolfo Kepler Jr. como uma pequena ferraria. Em 1996, já exportadora e bem estrurturada, a companhia foi vendida para instituições financeiras de primeira linha. Em 2007, depois da reestruturação de capital, o fundo Previ, do Banco do Brasil, e o Banco do Brasil Investimentos (BBI) passaram a ser seus maiores acionistas, com 35% do capital da empresa.

