Marina Sarruf
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São Paulo – O embaixador do Kuwait em Brasília, Waleed Al-Kandari, acredita que o setor turístico em alguns estados brasileiros tem potencial para receber investimentos de seu país. Para isso, o diplomata quer visitar alguns estados como Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "A idéia é marcar encontros com governadores e empresários para fortalecer e desenvolver ainda mais as relações entre o Brasil e Kuwait", afirmou.
Ele esteve ontem (26) na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, onde foi recebido pelo presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr., e pelo secretário-geral, Michel Alaby.
Segundo Al-Kandari, o maior interesse dos kuwaitianos está nos hotéis e resorts. "Os melhores hotéis da Espanha, por exemplo, têm investimentos do Kuwait", disse. Ele espera realizar as viagens ainda este ano. "Depois vou mandar todos os dados coletados para o governo do Kuwait. Lá, eles vão ver o que vale a pena fazer", acrescentou.
A região Nordeste do Brasil, onde estão localizados os estados da Bahia e Ceará, é muito procurada por turistas nacionais e estrangeiros, devido às suas praias e belezas naturais. No ano passado, a região recebeu 14,4 milhões de visitantes, segundo dados da Comissão de Turismo Integrado do Nordeste (CTI-NE).
De acordo com dados do Banco do Nordeste, além da região ter se tornado destino de milhões de turistas, ela virou rota de grandes investimentos internacionais. Os mais importantes hotéis e resorts do mundo descobriram a região, que tem 3,3 mil quilômetros de praias.
A região Sul, onde estão localizados os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, também oferece muito lazer aos seus visitantes e o turismo é uma das vocações de algumas cidades da região, como em Balneário Camburiú e a capital Florianópolis, em Santa Catarina.
Além de investimentos, Al-Kandari falou da balança comercial entre o Brasil e o Kuwait que está desequilibrada. No ano passado, as exportações brasileiras para o país árabe mais as importações do Kuwait somaram US$ 168 milhões, sendo que US$ 167,5 milhões foram das vendas externas do Brasil. "No passado, a balança estava mais equilibrada porque o Brasil comprava petróleo do Kuwait", disse o embaixador.
De janeiro a junho deste ano, as exportações brasileiras para o Kuwait já renderam US$ 98,8 milhões, um aumento de 83% em relação ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos embarcados foram carnes de frango e bovina, suco de laranja, açúcar e máquinas e tratores para o setor de construção. Já as importações brasileiras do Kuwait no primeiro semestre deste ano foram de US$ 24,4 milhões contra US$ 172,8 mil comparado ao mesmo período de 2006. O único item na pauta das importações brasileiras são naftas para petroquímica. "Espero que os números voltem ao equilíbrio", disse Al-Kandari.
Projetos
Segundo ele, os principais parceiros econômicos do Kuwait são os países asiáticos, como Japão e Coréia do Sul e alguns países europeus. O diplomata disse ainda que seu país fez um projeto para construir o maior porto do Oriente Médio, que vai ser instalado na Ilha de Bubian, maior ilha deserta do país localizada na região Norte.
Outro grande projeto no Kuwait foi a construção do shopping Avenues, aberto no início deste ano. O shopping tem uma área total de 185,8 mil metros quadrados, com um Carrefour, 10 salas de cinema e 35 restaurantes e cafés. Segundo o diplomata, trata-se do maior shopping-center do Oriente Médio.
Até o final do ano, a Câmara Árabe planeja organizar uma missão empresarial que passará pelo Kuwait e, de acordo com o embaixador, o país tem interesse em todos os setores brasileiros. "Estamos abertos para importação. Acredito que o intercâmbio de delegações sempre fortalece as relações", disse.

