São Paulo – O governo do Kuwait anunciou nesta quinta-feira (11) que vai oferecer US$ 4 bilhões em ajuda ao Egito, de acordo com a agência estatal Kuna. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já haviam anunciado auxílio no valor de US$ 5 bilhões e US$ 3 bilhões, respectivamente, segundo a agência Reuters.
Essa leva de apoio financeiro dos países do Golfo ocorre após a deposição do presidente egípcio, Mohamed Morsi, pelo exército, na semana passada. Morsi foi o primeiro presidente do Egito eleito democraticamente.
O pacote do Kuwait deverá incluir um depósito de US$ 2 bilhões no Banco Central do Egito, um empréstimo no valor de US$ 1 bilhão e mais US$ 1 bilhão em doações de produtos petrolíferos.
Segundo a Emirates News Agency (WAM), os Emirados vão conceder US$ 1 bilhão em doações e US$ 2 bilhões em empréstimos sem juros. Já os sauditas anunciaram um pacote de auxílio de US$ 5 bilhões.
Os recursos deverão servir para que os egípcios consigam combater uma crise em suas contas externas e a escassez de produtos importados, especialmente combustíveis. O país reduziu drasticamente suas reservas internacionais nos últimos meses, o que limita sua capacidade de importar, e a libra egípcia sofre um processo contínuo de desvalorização.
Segundo a Reuters, com estes aportes o governo interino se sentirá menos pressionado a concluir as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um empréstimo de US$ 4,8 bilhões, que se arrastam há meses.
Nesta quinta-feira, em Washington, o diretor do Departamento de Comunicação do FMI, Gerry Rice, disse que a instituição ainda não manteve contato com o governo interino, mas está “em contato regular” com suas “contrapartes de nível técnico no país”.
“A forma de como lidar com o governo interino será guiada, como é usual nessas circunstâncias, pela visão da comunidade internacional, e, em particular, pela visão dos [países] membros do Fundo”, afirmou Rice, em entrevista coletiva transmitida pela internet.
De acordo com ele, a organização acompanha de perto os acontecimentos no Egito para saber quais serão as consequências para as negociações. “Temos que esperar para ver, é prematuro entrar em detalhes”, ressaltou.
Sobe as liberações de recursos anunciadas pelos países do Golfo, Rice declarou que o FMI apoia iniciativas de ajuda financeira para países que enfrentam dificuldades econômicas, mas ele não quis comentar os casos específicos da Arábia Saudita, Emirados e Kuwait por não ter detalhes das operações.
Antes do golpe, ao longo do período de um ano em que Morsi permaneceu na presidência, o Catar anunciou mais de US$ 7 bilhões em empréstimos ao Egito.
O governo interino anunciou esta semana uma agenda de transição que prevê a redação de uma nova constituição, um referendo para aprová-la e a realização de eleições parlamentares em seis meses.
*Tradução de Gabriel Pomerancblum


