São Paulo – O Kuwait pretende atrair novamente companhias estrangeiras à sua indústria petrolífera. Hoje, a atuação dessas empresas está restrita a operações limitadas previstas em contrato. A informação é do jornal The National, de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.
Até 2020, o país árabe pretende aumentar sua capacidade de produção para 4 milhões de barris por dia. O volume atual é de 3,4 milhões de barris diários, número que inclui a produção da "zona dividida" que o Kuwait compartilha com a Arábia Saudita, de acordo com Farouk Al Zanki, CEO da estatal Kuwait Petroleum Corporation (KPC). Só para dar uma ideia, a produção brasileira é de poucos mais de 2 milhões de barris diários.
Para atingir o nível desejado, a KPC terá de firmar parcerias com petrolíferas estrangeiras para transferência de tecnologia, afirmou Zanki. "Parcerias com empresas estrangeiras serão essenciais", disse ele, em conferência na capital kuwaitiana.
"Para atingir nossa meta, vamos precisar de investimento pesado. A KPC quer contribuir para suprir os mercados internacionais no futuro, através de investimento contínuo na expansão de nossa capacidade", disse o CEO da KPC, segundo o The National.
Tecnologias avançadas serão de grande importância para aumentar a produção em campos de petróleo já maduros. A KPC quer aumentar e em seguida manter sua capacidade de produção nas próximas duas décadas, disse Zanki. "A produção em reservatórios já existentes pode ter um aumento de até 100%", afirmou ele.
De acordo com previsão de Sami Al Rushaid, presidente e diretor administrativo da Kuwait Oil Company (KOC), unidade produtora de petróleo e gás da KPC, em 2030, pelo menos um terço da produção no Kuwait deverá vir de projetos de recuperação avançada de petróleo. Ainda segundo ele, cerca 20% do petróleo será proveniente de depósitos ainda não descobertos, e 8% da exploração, tecnicamente difícil, de depósitos do chamado "petróleo pesado".
"No futuro, a produção de ‘petróleo difícil’ vai predominar", afirmou Rushaid. "O Kuwait não é exceção a essa tendência. O ‘petróleo difícil’ é a área em que estamos buscando parceiros", explicou. "É um setor novo para nós, então vamos buscar alianças internacionais." Vale lembrar que a Petrobras tem know-how na exploração e produção de petróleo pesado, já que boa parte do óleo produzido hoje no País é deste tipo.
A Constituição do Kuwait não permite que o governo ofereça concessões petrolíferas a empresas estrangeiras de forma direta. Isso tem impedido a KPC de aumentar sua capacidade produtiva no país, que tem a quinta maior reserva comprovada do mundo.
Um novo modelo de contrato para serviços técnicos avançados foi desenvolvido recentemente pela petrolífera. A intenção é atrair empresas estrangeiras. O primeiro acordo do tipo foi assinado no ano passado entre a KOC e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, para o desenvolvimento de campos de “gás azedo” a grandes profundidades no norte do país. A produção atual é de cerca de 150 milhões de pés cúbicos por dia (mais de 4 milhões de metros cúbicos). A KOC quer quadruplicar o volume até 2013.
*Tradução de Gabriel Pomerancblum

