São Paulo – A Agência Brasileira de Promoção às Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) aprovou nesta sexta-feira (26) o projeto de internacionalização do setor lácteo brasileiro. A instituição irá repassar R$ 2 milhões para desenvolver, pelos próximos dois anos, ações de promoção do leite e derivados no exterior. Dos oito países considerados alvo, cinco são árabes: Argélia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Iraque. Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que será a gestora do programa, o projeto começa a ser executado em novembro.
Entre as ações previstas pelo projeto estão a participação de empresas em feiras setoriais, o desenvolvimento de uma marca, a divulgação do projeto com a vinda, ao país, de jornalistas, pesquisadores e empresários estrangeiros e, também, a realização de um projeto comprador. O plano aprovado pela Apex-Brasil exige, por outro lado, uma contrapartida das empresas participantes que pode ser feita de diversas maneiras. Em uma delas, a empresa que enviar funcionários para feiras em outros países, por exemplo, deverá pagar a viagem.
De acordo com o analista de Ramos e Mercados da OCB, Gustavo Beduschi, as cooperativas têm grande representatividade na produção nacional de leites e derivados, mas o País não é, atualmente, um grande exportador. Isso aconteceu até 2008, quando o setor Brasil exportou aproximadamente US$ 500 milhões.
A partir de 2009, no entanto, a crise econômica fez com que países que antes eram grandes clientes do Brasil, como os Estados Unidos e nações da União Europeia, se tornassem mais protecionistas. Em relação aos países árabes, o que levou o país exportar menos, segundo Beduschi, foi a concorrência. Mesmo assim, disse, o Brasil nunca deixou de vender derivado de leite para a região.
Embora oito países tenham sido selecionados para serem foco do projeto, isso não impede que outras nações sejam compreendidas pelo programa. "A Alemanha, por exemplo, tem a feira de Anuga, que é muito grande. Então, participar dela pode ser parte das ações mesmo que a Alemanha não seja contemplada como alvo", disse Beduschi.
Além dos cinco países árabes, os mercados da China, Angola e Venezuela são foco do projeto. Esses países, segundo Beduschi, foram escolhidos como prioritários pelas 11 empresas que participaram do planejamento estratégico do projeto e pela Apex-Brasil. O Ministério do Desenvolvimento Agrário será outro parceiro neste programa e irá trabalhar em parceira com os produtores de leite.

