Marina Sarruf
marina.sarruf@anba.com.br
São Paulo – Três técnicos do Ministério da Saúde do Líbano estão em Brasília realizando uma série de cursos de capacitação no controle de surtos e epidemias. Os libaneses, que chegaram na segunda-feira e ficam até amanhã (29), estão sendo orientados por profissionais brasileiros que querem ajudá-los a agir de maneira rápida diante de uma situação de risco.
"O objetivo da vinda desses libaneses é capacita-los tecnicamente para trabalhar na área de surtos e epidemias. Essa foi uma das áreas que reconhecemos carência", afirmou o técnico brasileiro em cooperação internacional do Ministério da Saúde, Fabio Tagliari. Segundo ele, o treinamento faz parte dos compromissos de ajuda ao país árabe assumidos pelo Brasil após os ataques de Israel em julho e agosto do ano passado.
Em outubro de 2006, o Ministério das Relações Exteriores organizou uma missão ao Líbano com o objetivo de identificar as áreas que o Brasil poderia oferecer cooperação. A viagem teve a participação de representantes de vários ministérios, inclusive da Saúde, que foi representado por Tagliari e mais dois médicos. Houve também participação da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
De acordo com Tagliari, os libaneses estão participando de reuniões, palestras e videoconferências que mostram a experiência brasileira na área. "Eles estão bem satisfeitos. Prestam atenção e anotam tudo. Acho que vai render bons frutos no Líbano", disse.
Três sistemas brasileiros estão sendo apresentados para a delegação libanesa: o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), que é uma sala equipada com recursos tecnológicos para receber informações sobre a ocorrência de surtos e emergências epidemiológicas que coloquem em risco a saúde da população em qualquer local do país; o Sistema Nacional de Notificação de Agravos (SINAN), responsável pelo armazenamento e processamento de dados referentes a doenças de risco; e o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE), ferramenta de trabalho para coordenar o sistema nacional de vigilância em saúde do país.
"Eles estão conhecendo como funciona a estrutura do Ministério da Saúde para que possam levar a experiência ao Líbano", disse Tagliari. Segundo ele, esse treinamento está sendo financiado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), órgão ligado ao Itamaraty. "Após a guerra, o país recebeu muito dinheiro e equipamentos, mas falta agora capacitação técnica, e é isso que estamos oferecendo", completou.
Segundo Tagliari, o Ministério da Saúde deverá receber nos próximos meses mais duas delegações libanesas, uma para ter curso de capacitação sobre vigilância, tratamento, controle e monitoramento da qualidade de água, e outra para a atualização de algumas doenças, como sarampo, raiva, febre tifóide, entre outras. "É uma revisão do protocolo de patologias. Eles precisam se atualizar", disse.

