São Paulo – O Líbano não está em más condições financeiras se comparado a outros países do Oriente Médio, mas tem desafios no seu caminho. Essa foi a mensagem do vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nemat Shafik, ao fim de uma visita de três dias ao país, na última semana, na qual se reuniu com autoridades locais. Segundo a executiva, há nações da região do Oriente Médio e do Norte da África importadores de petróleo negociando empréstimos com a instituição. "O Líbano não está entre os países com os quais discutimos financiamento, mas mesmo assim está frente a desafios", afirmou.
Shafik observou que o Líbano foi afetado pela crise global e pelas turbulências regionais. Além disso, as instabilidades da política local também tiveram impacto no crescimento do país. O executivo disse que o crescimento de 3% que o FMI prevê para o Líbano neste ano está abaixo do potencial do país.
"Implantar políticas domésticas coerentes é essencial para trazer confiança. Isso requer, acima de tudo, disciplina fiscal com foco na geração de superávit primário, que poderá manter a proporção entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) em uma trajetória de queda", disse Shafik.
No entanto, a executiva do FMI afirmou que o Líbano precisa desenvolver projetos de médio-prazo para fortalecer sua economia. "Criar uma economia dinâmica que possa gerar emprego ajudaria a reduzir o desemprego e os níveis de pobreza. Isso requer investimentos e reformas em infraestrutura assim como promover melhorias no ambiente de negócios e no mercado de trabalho", disse.
Shafik afirmou que a região está passando por mudanças "dramáticas" que trazem incertezas, reduzem os investimentos, o turismo e a atividade econômica. Afirmou que a situação é mais delicada para os países da região que importam petróleo, que são mais suscetíveis ao alto preço das commodities e sofrem mais com a crise global. Isso tem, como resultado, aumento do desemprego e queda na renda das pessoas.
Ele disse que os importadores de petróleo irão precisar de financiamentos de US$ 90 bilhões em 2012 e de US$ 100 bilhões em 2013. Afirmou, também, que o mercado de capitais poderá suprir apenas parte desta necessidade.

