São Paulo – A Líbia quer a retomada dos negócios e projetos com empresas brasileiras que estavam no país antes dos conflitos sociais que levaram à queda do então presidente Muamar Kadafi, em 2011. A informação é de Khaled Dahan, embaixador do país árabe, que teve uma agenda de encontros com empresários esta semana, em São Paulo, e também visitou a Câmara de Comércio Árabe Brasileira nesta quinta-feira (06).
Dahan teve reuniões com representantes da JBS (alimentos), Queiroz Galvão (construtora) e BRF (alimentos). Segundo ele, estas empresas tinham projetos na Líbia ou faziam negócios com o país a partir do Brasil.
“Os projetos pararam desde a revolução em 2011, por causa da guerra e dos conflitos com o antigo regime. Mas agora nosso país está livre e viemos aqui para ver estas empresas, para saber quais seus problemas, se elas tiveram perdas, o que elas precisam para poder concluir seus projetos lá”, explicou o diplomata à reportagem da ANBA. Antes da entrevista, Dahan foi recebido na Câmara Árabe por Marcelo Sallum, presidente, e Michel Alaby, diretor-geral da entidade.
A Líbia vem sofrendo com frequentes conflitos em seu território e o país ainda não conseguiu alcançar uma estabilidade política e nem criar um ambiente seguro que atraia as companhias internacionais.
De acordo com Dahan, as empresas brasileiras manifestaram interesse em retomar os negócios com a Líbia assim que a situação política e de segurança do país estiver estabilizada. “Prometemos às empresas que encontramos aqui em São Paulo que, assim que for conveniente para que elas voltem e completem seus projetos, nós as avisaremos. As empresas disseram que assim que as chamarmos, elas voltarão”, contou.
“Não esperamos que isso leve muito tempo. Esperamos que, com os esforços do povo líbio, de nossos vizinhos e da Organização das Nações Unidas, possamos ver logo uma estabilidade e as empresas possam voltar”, apontou o embaixador.
Segundo o diplomata, os conflitos que persistem no país são consequências das diversas armas deixadas pelo antigo regime e que foram pegas por grupos de rebeldes. Ele nega, no entanto, as notícias de agências internacionais que afirmam que, atualmente, há dois governos na Líbia, um oficial e um paralelo, formado por um grupo de milicianos. “A Líbia é um único país com um único governo, não tem dois governos nem é dois países. Mas há notícias e centros de mídia que estão tentando tornar o problema maior”, afirmou.
“Estamos otimistas que nosso país logo estará estabilizado e melhor. É por isso que estou buscando fortalecer as relações e ver como podemos nos beneficiar da experiência brasileira e de suas empresas em diferentes campos”, disse Dahan, reforçando sua intenção de estreitar o relacionamento com o Brasil.
Dahan lembrou que a Líbia é um país exportador de petróleo e rico em recursos naturais. “Viemos aqui para mudar a imagem da Líbia para melhor. Eu quero dizer a todas as empresas e empresários brasileiros que não precisam ficar preocupados, só precisam ser um pouco pacientes porque problemas acontecem após a mudança de qualquer tipo de regime, especialmente após uma revolução. Assim que possível, nosso país estará em uma boa situação, será seguro e o ambiente será encorajador para que as empresas estrangeiras venham e façam seu trabalho”, concluiu.


