São Paulo – A Líbia vai tentar repatriar seus capitais espoliados e depositados no exterior. A informação foi divulgada pelo vice-primeiro ministro dos Negócios Estrangeiros do país árabe, Abdelrazack Al-Kuwaydi, na última semana, após encontro com uma delegação da Iniciativa de Recuperação de Bens Roubados (Star), organismo que é gerido em conjunto pelo Banco Mundial e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
No encontro com o grupo, que visitou a Líbia, foram analisados meios de recuperar os ativos. Junto com a delegação da Star, o ministério tentará identificar onde estão os bens espoliados e contas em bancos estrangeiros, informou o porta-voz do Ministério de Negócios Estrangeiros, Badr Al-Dinne Al-Ghaylouchi, segundo a agência de notícias africana Panapress.
A Star foi criada em 2008 e é um programa destinado a ajudar os governos dos países em desenvolvimento a fazer o repatriamento de bens espoliados e enviados ao exterior. Uma das formas de trabalho da Star é a sensibilização dos países desenvolvidos para a identificação de onde estão esses capitais e a devolução à nação de origem. A ideia é que, com esses bens, sejam financiados projetos e programas sociais que ajudem na luta contra a pobreza no país.
É comum ocorrer esse tipo de problema, com bens e obras de arte sendo levados para o exterior ilegalmente, quando o país passa por guerras ou mudanças políticas e sociais bruscas, que deixam a nação sem uma ordem legal por dias, meses ou mesmo anos. A Líbia teve seu presidente, o ditador Muamar Kadafi, deposto após período de enfrentamento entre as forças oficiais do país e movimento liderado por rebeldes.
O país árabe vem trabalhando para devolver o equilíbrio ao seu país, com recuperação da produção de petróleo e a governabilidade. Na metade do ano passado, a Líbia realizou a sua primeira eleição pós-Kadafi, pela qual elegeu 200 membros do Congresso Nacional. Também foram eleitos, logo após, o presidente do congresso e um primeiro-ministro, Aly Zaidan, que atualmente governa o país.
Ajuda ao Egito
Mesmo enquanto busca recuperar seus bens, a Líbia irá ajudar o Egito a diminuir a crise financeira do país. Segundo informações do jornal Financial Times e da agência de notícias Lana, a Líbia vai enviar um milhão de barris de petróleo por mês para o Egito, emprestar US$ 2 bilhões e facilitar a emissão de vistos para trabalhadores egípcios. As medidas são resultado de um acordo celebrado entre os dois países para reduzir as tenções e dificuldades de abastecimento do Egito, que passa por uma crise econômica.


