Marina Sarruf
São Paulo – A Líbia importa 75% dos alimentos que consome, comércio que movimenta US$ 5 bilhões por ano. As informações foram levantadas pelo secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que se encontrou ontem (04) com o diretor-executivo do Conselho Empresarial Líbio, Isa Ayad Babaa, em Trípoli, capital do país árabe. Alaby está na Líbia para conhecer o Projeto Líbia 2006, feira dos setores de energia e infra-estrutura que segue até quinta-feira (07).
Frente aos dados, Alaby disse que o setor de alimentos da Líbia é um dos que mais apresenta potencial de negócios para o Brasil. Com exceção das carnes, que já é 95% importada do Brasil, os outros alimentos são fornecidos principalmente pela Itália, Espanha, Turquia e Tunísia.
Além de alimentos fabricados no Brasil, o país árabe também tem interesse nos produtos médico-hospitalares, cosméticos, móveis de madeira, autopeças, produtos veterinários e material de construção.
"A Líbia está investindo muito em infra-estrutura, principalmente em casas, hotéis, resorts, estradas e pontes. Os investimentos previstos para os próximos cinco anos são de US$ 12 bilhões", disse Alaby. Outro ponto observado por ele é que a participação do setor privado na economia do país árabe tem aumentando consideravelmente, representando hoje cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB).
Alaby acrescentou que Babaa espera receber em fevereiro de 2007 uma delegação de empresários brasileiros para participar da Feira Internacional de Trípoli, que é multissetorial. Babaa pretende também organizar uma rodada de negócios entre empresários líbios e brasileiros.
Projeto Líbia
O tema do Projeto Líbia 2006 é "O Desenvolvimento e a Construção do Futuro". A feira tem quatro mil metros quadrados e conta com 96 empresas de 39 países, como Estados Unidos, Canadá, Itália, Espanha, Alemanha, China, Suíça, Japão, Malásia, Egito e Filipinas. "Essa é uma feira que demonstra o potencial da exploração de petróleo na Líbia e o potencial do setor de infra-estrutura", disse Alaby.
De acordo com ele, na área de infra-estrutura os expositores são fabricantes de máquinas agrícolas pesadas, aparelhos de ar condicionado industrial, materiais de construção, sistemas de cabos elétricos de ferrovias, equipamentos de dessalinização, de irrigação e para tratamentos de água e esgoto.
Já do setor de energia, o evento conta com fabricantes de equipamentos de controle de sistemas de petróleo, de corrosão e proteção dos poços e refinarias, de tubulação, tecnologia para exploração de gás, equipamentos para transporte de petróleo e derivados, entre outros. Segundo Alaby, as maiores companhias de exploração de petróleo participam da feira, como Texaco, Shell e Agip.
"Senti falta da Petrobras, visto que eles têm projetos na Líbia", disse. A estatal brasileira ganhou no ano passado uma licitação para explorar petróleo no país árabe.

