Alexandre Rocha
e Geovana Pagel
São Paulo – O chefe da missão comercial de cinco países árabes que está em São Paulo para negociar com empresas brasileiras, Thabet A. Taher, defendeu ontem (14), durante seminário que abriu as rodadas de negócios organizadas pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), a criação de acordos comerciais entre as nações árabes e da América do Sul como forma de ampliar as relações econômicas entre as duas regiões.
"Há dois anos a Jordânia firmou um acordo com os Estados Unidos. Nesse período as exportações para os EUA aumentaram de cerca de US$ 200 milhões para US$ 1 bilhão em 2004. O tratado funcionou bem. Então por que não ter acordos semelhantes com os países da América do Sul", disse ele à ANBA após o seminário.
Taher, que já foi ministro das Minas e Energia da Jordânia e hoje ocupa os cargos de vice-presidente da Associação de Empresários Jordanianos e de secretário-geral da Federação de Empresários Árabes, lembrou que duas nações árabes, o Egito e o Marrocos, já estão negociando acordos de preferências tarifárias com o Mercosul – bloco formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai -, e sugeriu que a Jordânia dê início a um processo semelhante junto com o Brasil. "Seria um primeiro passo", afirmou.
Conselho empresarial
Nesse sentido, Taher defendeu que a Federação de Empresários Árabes e a CCAB criem um conselho de cooperação econômica. A federação representa 11 associações de empresários de 10 países árabes. "Com esse conselho poderíamos desenvolver a cooperação entre o Brasil e o mundo árabe como um todo, não apenas ao nível de cada país", afirmou. Para ele, a enorme comunidade árabe que vive no Brasil pode também servir de "ponte" para o aprofundamento das relações.
O presidente da CCAB, Antonio Sarkis Jr., disse que a presença em São Paulo da missão composta por empresários da Jordânia, Iêmen, Líbano, Iraque e Palestina pode representar um primeiro passo na criação desse conselho.
Reunião de cúpula
Taher disse também que a reunião cúpula dos chefes de estado árabes e sul-americanos, que será realizada em maio em Brasília, deverá impulsionar as relações econômicas entre as duas regiões. Sarkis acrescentou que a CCAB planeja organizar um evento em São Paulo para os empresários que vão integrar as delegações oficiais.
"Acreditamos que juntamente com as delegações oficiais árabes virão muitos empresários. Por isso estamos planejando organizar um evento em parceria com o Conselho de Embaixadores Árabes no Brasil. Na próxima quinta-feira (17) teremos uma reunião com o conselho, em Brasília, para formatar o evento", afirmou o presidente da CCAB.
Brasil competitivo
Sarkis apresentou, a uma platéia de cerca de 200 empresários árabes e brasileiros no hotel Renaissance, em São Paulo, um quadro da economia brasileira. "O Brasil representa hoje uma excelente oportunidade, pela competitividade e diversidade da pauta de exportação, que vai de alimentos até manufaturados", disse. "Em 2004, a economia brasileira apresentou um crescimento em torno de 5%, resultado em grande parte devido às exportações, que aumentaram 32% em relação a 2003", ressaltou.
O presidente da CCAB lembrou que o a corrente comercial entre o Brasil e os países árabes ultrapassou os US$ 8,1 bilhões em 2004 e declarou que esse fluxo pode muito bem ultrapassar os US$ 10 bilhões. Taher disse que os países árabes podem buscar no Brasil os mesmo produtos que compram de países desenvolvidos, como os EUA e o Canadá. "Há espaço para desenvolver as relações econômicas entre o Brasil e os países árabes", acrescentou o diretor-geral da Federação de Empresários Árabes, Ali Yousef.
O secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, por sua vez, defendeu parcerias entre os empresários. "Uma só mão não consegue bater palmas. A parceria faz com que as duas mãos batam palmas", declarou.
Investimentos
Além do comércio, Taher defendeu também a promoção de investimentos conjuntos entre empresas brasileiras e árabes. Falando especificamente da Jordânia, ele disse que seu país oferece um bom ambiente regularório e oportunidades nas áreas de mineração, fertilizantes, indústria farmacêutica, agroindústria, serviços, tecnologias da informação e turismo.
"Quero fazer um convite aos empresários brasileiros para ir à Jordânia e ver o que pode ser feito. Existem boas oportunidades", disse. "O país é bem localizado geograficamente e pode ser usado como um centro de distribuição para países da Ásia e nações da região, como o Iraque", declarou.
O embaixador da Jordânia em Brasília, Faris Mufti, acrescentou que seu país tem nas margens do Rio Jordão um distrito industrial no qual as fábricas instaladas lá podem exportar para os Estados Unidos sem o pagamento de taxas, desde que utilizem uma parcela de insumos importados de Israel, uma vez que o acordo que rege a zona franca envolve os três países.
"Os chineses já investiram lá. Se eles fizeram, por que os brasileiros não podem fazer?", questionou. A maioria das indústrias instaladas na região, de acordo com ele, são do setor têxtil.

