Randa Achmawi
Cairo – Um acordo formalizando a criação missão da Liga Árabe em Brasília foi firmado ontem (23), na sede da Liga no Cairo, em cerimônia onde estiveram presentes altos funcionários da organização e da embaixada do Brasil na capital egípcia. O documento foi assinado pelo embaixador brasileiro, Elim Dutra, em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo secretário-geral adjunto da Liga, Ahmed Benhelli. O documento formaliza uma situação que já existe na prática, pois desde o final de 2005 a entidade árabe tem uma representação no Brasil, chefiada pelo diplomata Mahmoud Elsouri.
"O presidente da República me concedeu uma carta de plenos poderes para assinar, junto à Liga Árabe, um acordo autorizando esta instituição a ter uma missão permanente no Brasil", explicou o embaixador brasileiro. Segundo ele, o acordo estabelece todas as regras de funcionamento da missão da Liga Árabe no Brasil e deverá em seguida passar pelo Congresso brasileiro.
A decisão de se abrir uma missão no Brasil foi tomada durante a 124ª edição do Conselho Ministerial da Liga de setembro de 2005. "Ou seja, quase quatro meses após a cúpula de Brasília", disse Ibrahim Mohieldinne, chefe do departamento das Américas na Liga Árabe.
De acordo com ele, o processo de elaboração do acordo de criação da missão no Brasil englobou uma serie de trâmites, como a elaboração de um projeto por parte da Liga Árabe enviado primeiramente ao Brasil. "Os brasileiros acrescentaram a ele algumas observações, em seguida o documento foi traduzido em três línguas – árabe, português e inglês -, antes de ser assinado nessas três versões", explicou Mohieldinne.
Para o secretário-geral adjunto, Ahmed Benhelli, a criação no Brasil da primeira missão da Liga Árabe do Sul simboliza o reconhecimento dos paises árabes a este país, assim como ao papel exercido pelo presidente Lula no processo de aproximação dos dois mundos. "Nossa missão em Brasília representa, em um primeiro momento, um canal de contato, comunicação e intercâmbio continuo entre a totalidade do mundo árabe, através da Liga, e o conjunto de países da América do Sul de um modo geral e, mais particularmente, com as comunidades de origem árabe que vivem nestes países", afirmou Benhelli.
Para ele, no entanto, num segundo momento, esta relação tenderá a evoluir e virá a se transformar numa verdadeira parceria entre os países dos dois mundos. "Eu vejo estes dois blocos se aproximarem cada vez mais na cena mundial e coordenarem cada vez mais suas posições nas instituições internacionais sobre o conjunto de questões políticas, econômicas ou sociais que se apresentam no cenário mundial", acrescentou.
Além disso, para Benhelli, um índice que demonstra claramente a aproximação cada vez mais intensa entre os países das duas regiões é a agenda de trabalho comum entre os dois blocos. "Teremos dentro de poucos dias, aqui na Liga Árabe, a reunião de ministros da área social árabes e sul-americanos, em seguida haverá a reunião da comissão cultural na Argélia, depois a reunião de altos funcionários em Santa Cruz, na Bolívia, a reunião de ministros de relações exteriores, em Buenos Aires, e finalmente a cúpula de Rabat", disse Benhelli. De acordo com ele, tudo isso mostra não somente a dimensão da aproximação entre estas regiões, mas o prospecto do trabalho que ainda esta por vir.

