São Paulo – A Liga dos Estados Árabes e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), ambas instituições intergovernamentais, vão fazer um levantamento sobre as comunidades árabes no exterior e querem a contribuição de pesquisadores de países onde há imigrantes. O objetivo é identificar como estes expatriados podem auxiliar o desenvolvimento de suas nações de origem em termos socioeconômicos e políticos.
"É claro que eles (os imigrantes) podem ajudar [seus países de origem]", disse o embaixador da Liga no Brasil, Bachar Yaghi. "São pessoas que têm poder, boas relações, boa reputação e bons sentimentos em relação aos seus países natais", acrescentou. Vale lembrar que o Brasil concentra uma das maiores comunidades de origem árabe do mundo.
Segundo o diplomata, é a primeira vez que a entidade promove um estudo do gênero e ele se insere em uma iniciativa maior de mobilização dos expatriados em prol do desenvolvimento do mundo árabe. Para a Liga e a OIM, tanto no exterior como no retorno à terra natal, os imigrantes podem ter um papel importante nessa seara.
As organizações ressaltam que, em muitos casos, isso já ocorre. Em várias nações árabes as remessas de dinheiro de cidadãos expatriados é parte importante do Produto Interno Bruto (PIB). "No despertar da chamada ‘Primavera Árabe’, alguns expatriados árabes também expressaram ou demonstraram sua vontade de apoiar as transições democráticas em seus países de origem", diz comunicado sobre a pesquisa divulgado pela Liga e a OIM.
De acordo com o texto, as oportunidades representadas pelos expatriados muitas vezes não são aproveitadas e o estudo vai auxiliar na formulação de políticas sobre o tema e no engajamento dos imigrantes na questão. A ideia é examinar o perfil dessas pessoas para mensurar o potencial de contribuição para o país de origem e saber como ele pode ser concretizado. Outra intenção é ter informações para poder mitigar os efeitos negativos das migrações.
Os pesquisadores interessados em participar devem encaminhar uma proposta de trabalho à organização até 15 de setembro. O texto, de até 500 palavras em árabe, francês ou inglês, tem que ser um resumo do que pretende ser a pesquisa. O interessado deve enviar juntamente seu currículo. Serão selecionadas até 10 propostas e os autores vão ser comunicados da decisão até 15 de outubro.
A pesquisa propriamente dita tem que conter um exame sobre o perfil dos imigrantes; uma avaliação de contribuições recentes e possível apoio futuro deles para seus países de origem nas áreas socioeconômica e política; e outra avaliação sobre políticas e medidas práticas para engajar os expatriados no desenvolvimento dessas áreas.
Cada pesquisador, segundo o comunicado da Liga e da OIM, deverá entrevistar de 15 a 20 imigrantes. O trabalho final precisa ser entregue até 15 de dezembro e deve conter de 6 mil a 8 mil palavras, sem contar notas e gráficos. As entidades destacam que o estudo não pode ser meramente acadêmico, mas ter um viés prático. As pesquisas, depois de examinadas e aprovadas, serão remuneradas com US$ 1,5 mil cada.
Mais informações e inscrições
Liga Árabe, com Samiha Mohei Eldine
E-mail: samiha.mohey@las.int
OIM, com Reham Abdel Mohsen
E-mail: rabdelmohsen@iom.int

