São Paulo – O empresário Saleh Al Anezi, que tem três lojas de sapatos e acessórios no Kuwait, vai voltar para casa com uma boa impressão dos calçados brasileiros e com negócios encaminhados. Nos três primeiros dias da Francal, maior feira de calçados e acessórios da América Latina, que termina hoje (17) em São Paulo, Anezi fechou pedidos de mais de dois mil pares de calçados masculinos e femininos com sete empresas brasileiras.
“Gostei muito dos produtos brasileiros. As empresas investem em design e qualidade e oferecem produtos confortáveis”, afirmou o lojista da rede Choices, que está no Brasil pela segunda vez. Anezi, que esteve em maio em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, também numa feira de calçados, disse que as empresas brasileiras são sérias e sabem inovar em seus produtos.
Anezi começou a importar calçados femininos do Brasil este ano. Agora, além dos femininos, ele quer levar para suas lojas os modelos masculinos. Entre quarta e quinta-feira, o empresário fechou pedidos para calçados masculinos com a Anatomic Gel, Democrata, Sapatoterapia, Ferracini, Rafarillo e Agabê. “Isso é só o começo”, afirmou ele, que pretende deixar uma de suas lojas para vender apenas sapatos masculinos.
Ontem pela manhã, o lojista fechou um pedido de 324 pares de calçados femininos com a empresa gaúcha Bottero. Os modelos encomendados foram sapatilhas, sandálias rasteiras e de salto alto em diversas cores. A Bottero já exporta para o mercado árabe há oito anos e tem clientes nos Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait, Omã e Catar. Os contatos são realizados nas grandes feiras nacionais e internacionais.
Durante o fechamento do pedido com o lojista do Kuwait no estande da Bottero, clientes da Arábia Saudita observavam a nova coleção da marca para fechar um pedido. De acordo com o gerente de exportação da empresa, Charles Werb, as coleções de verão são as mais vendidas para os países árabes, devido ao clima quente da região. Com uma produção de 3,5 milhões de pares por ano, cerca de 10% é destinada a exportação.
Segundo o lojista do Kuwait, não existe um número nem um valor exato de quanto ele pretende comprar do Brasil. “Tudo depende do que eu achar e gostar. Não estou procurando só preço, mas qualidade”, disse ele, que hoje, pretende fechar pedidos com mais três empresas de calçados femininos.
De acordo com Anezi, a Choices, que está no mercado desde 1993, já teve seis lojas no país e agora, os planos são, aos poucos, voltar a abrir novas lojas. “Não estou com medo da crise. Continuo importando porque as mulheres continuam comprando e sempre buscam novidades”, acrescentou.
Outro empresário árabe que fechou pedidos na Francal foi Abdul Majid Al Abdul Karim, da empresa Al Abdul Karim, da Arábia Saudita. Com lojas de calçados masculinos, Karim encomendou cerca de mil pares até ontem. Os compradores árabes, que foram trazidos pela Associação Brasileira das Indústrias Calçadistas (Abicalçados), ficam na feira até hoje, último dia do evento.
Indústria brasileira
A indústria brasileira de calçados é a terceira maior do mundo. Com mais de 8 mil fábricas no país, o setor gera 300 mil empregos diretos. Com uma produção de 800 milhões de pares de calçados ao ano, a indústria brasileira atende todo o mercado interno e externo, sendo a quinta maior exportada de calçados do mundo e a terceira maior produtora.
Com exportações para 190 países, a indústria brasileira faturou no ano passado, com as vendas externas, US$ 1,88 bilhão. Foram embarcados 165 milhões de pares.

