São Paulo – Até 2050, o mundo árabe ainda precisará importar metade ou mais dos alimentos que consome, segundo informações do gerente regional de comunicação do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), Teysir Al Ganem. O representante da agência da ONU falou sobre o tema durante uma conferência internacional de jornalismo científico realizada na semana passada no Catar, de acordo com o jornal Gulf Times, de Doha.
“O mundo árabe é a região mais atingida pelas importações de alimentos e pelas flutuações dos preços [desses produtos]”, disse Ganem, segundo o jornal. A avaliação vai no mesmo sentido das previsões do Panorama Agrícola 2011-2020, divulgado em junho pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).
Segundo o relatório, o Oriente Médio e o Norte da África vão ampliar rapidamente suas importações de alimentos ao longo da década. A região vai liderar, por exemplo, o avanço do comércio internacional de carnes.
No cenário até 2050, Ganem destacou que a população do mundo árabe deverá mais do que dobrar, chegando a 692 milhões de pessoas, ampliando fortemente a demanda. Hoje os alimentos representam mais de 10% de tudo o que a região importa do resto do mundo. No caso do Brasil, o agronegócio responde por 69% das exportações aos árabes.
Na mesma conferência em Doha, de acordo com o Gulf Times, o diretor geral do Centro Internacional de Pesquisa Agrícola em Áreas Áridas (Icarda, na sigla em inglês), Mahmoud El-Solh, acrescentou que, ao mesmo tempo, a produção no mundo árabe deverá sofrer com mudanças climáticas, especialmente com o aumento da seca.
No Norte da África, por exemplo, ele estima uma redução de 15% a 50% no volume de chuvas. El-Solh ressaltou que, em termos globais, a expansão de áreas agrícolas ficará restrita a países da América Latina e da África Subsaariana. Nesse sentido, o aumento das colheitas virá, em sua maior parte, dos avanços de produtividade.

