Alexandre Rocha
São Paulo – A Embraer faturou no ano passado 15,2% a menos do que em 2002. A receita líquida da empresa caiu de quase R$ 7,75 bilhões para R$ 6,57 bilhões, o pior número desde 2001. Apesar da queda, a companhia não sofreu prejuízo e o lucro líquido ficou em R$ 587,7 milhões. No entanto, o valor é 50,17% menor do que o registrado em 2002, que foi de cerca de R$ 1,18 bilhão, e o mais baixo desde o ano 2000. Os resultados de 2003 foram anunciados hoje (18) pela manhã pelo presidente da empresa, Maurício Botelho.
A principal causa da redução do faturamento da Embraer foi a diminuição no número de entregas em 2003 em comparação com o ano anterior. No ano passado, a empresa entregou 101 aeronaves, contra 131 em 2002, 161 em 2001 e 160 em 2000.
"Em 2003 o mercado aeronáutico continuou em crise, ainda impactado pelos atentados de 11 de setembro de 2001. As principais linhas aéreas amargaram prejuízos exponenciais. O quadro foi agravado pela epidemia de SARS (pneumonia asiática), cujos efeitos foram fortes no transporte aéreo da Ásia e suas conexões com o ocidente", justificou Botelho.
No início de 2003 a Embraer esperava entregar 148 aviões. No entanto, houve um adiamento e uma redução nos pedidos feitos por duas companhias aéreas, a Express Jet (Continental Express) e a Swiss. Além disso, ocorreu um atraso na certificação (habilitação para uso comercial) do Embraer 170, avião que faz parte da nova família de jatos regionais da empresa. Por isso as primeiras entregas dessas aeronaves, que estavam previstas para agosto, foram adiadas, primeiro para novembro, mas só foram efetivadas no início deste mês.
De acordo com o vice-presidente corporativo da companhia, Antonio Luiz Pizarro Manso, outro fator que contribuiu para a queda dos resultados expressos em real foi a valorização da moeda brasileira frente ao dólar, já que as vendas da Embraer, todas externas, são pagas em dinheiro norte-americano. "O câmbio também teve um impacto no resultado em reais, mas em dólares a influência não foi tanta", declarou Manso.
Dentro desse quadro, Botelho agradeceu ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que financiou uma "parcela significativa" das exportações da empresa em 2003.
2004: otimismo
Botelho, porém, anunciou perspectivas otimistas para 2004. De acordo com ele, ainda no ano passado a Embraer conseguiu um financiamento de US$ 414,6 milhões no mercado financeiro internacional para viabilizar negócios com a Continental Airlines. Em sua avaliação, isso mostra que o mercado começa a se interessar novamente pelo setor, após um período de escassez de financiamentos externos.
Por outro lado, Botelho acredita que a aposta da Embraer no desenvolvimento de jatos regionais, com capacidade para carregar entre 30 e 110 passageiros, vai vingar. De acordo com ele, o segmento, que era responsável por transportar apenas 10% dos passageiros nos Estados Unidos há 10 anos, agora responde por 35%.
A empresa espera entregar 160 aviões em 2004 e 170 em 2005. Nesse sentido Botelho acrescentou que espera um crescimento "acentuado" do faturamento. Além do aumento da quantidade, a carteira de entregas prevista contém agora os jatos da família 170/190 que têm maior valor do que os ERJ 145 comercializados até o ano passado.

