Alexandre Rocha
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São Paulo – O Banco ABC Brasil, controlado pela Arab Banking Corporation (ABC), com sede no Bahrein, anunciou ontem (31) que obteve um lucro líquido de R$ 118,2 milhões em 2007, um aumento de 93,8% em comparação com os R$ 61 milhões de 2006. Em entrevista à ANBA, o gerente de relações com investidores da instituição, Alexandre Sinzato, disse que o desempenho foi influenciado pelo crescimento da economia brasileira, pelo aumento significativo do crédito no país e pela oferta pública primária de ações realizada no ano passado, que resultou em um aumento de mais de 100% no patrimônio do banco.
No último trimestre do ano somente, o banco obteve um lucro líquido de R$ 50,7 milhões, um aumento de 154,6% sobre o mesmo período de 2006 e de 117,6% em comparação com o terceiro trimestre de 2007. “A abertura de capital (ocorrida no final de julho) permitiu ampliar nosso crescimento e intensificar nossa atuação na área de crédito corporativo”, disse Sinzato.
Os financiamentos para empresas são o principal foco do banco, embora ele opere também com pessoas físicas por meio do crédito consignado. A carteira de crédito chegou a quase R$ 5 bilhões no final de 2007, um aumento de 71% em comparação com 2006 e de 17% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
O gerente destaca que, pelo fato de ter um controlador árabe – o ABC é um dos principais bancos do Oriente Médio -, o ABC Brasil tem acesso a diversos investidores estrangeiros, não só da região, mas do mundo todo, o que facilita a captação de recursos externos para suas linhas de crédito. Boa parte desses recursos, segundo ele, é voltada para financiar operações de comércio exterior. O setor responde por 17% da carteira de crédito do banco.
A média da taxa de retorno sobre o capital líquido, que mede a rentabilidade da instituição, foi de em 16,1% em 2007, ante 14,7% em 2006. No último trimestre do ano passado, o índice ficou em 18,6%, ante 10,1% no terceiro trimestre. De acordo com Sinzato, os números refletem o aumento de capital do banco e a expectativa é de que a rentabilidade aumente no futuro próximo com o crescimento dos negócios sem que haja aumento dos custos.
Com os bons resultados, Sinzato acredita que as ações do banco negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vão se valorizar ao longo do tempo. O preço inicial das ações foi de R$ 13,50 por unidade, mas elas sofreram desvalorização e fecharam o ano a R$ 10,00. “Nossa IPO foi feita poucos dias antes do início da crise dos subprime nos Estados Unidos, o que prejudicou nossa performance num primeiro momento. Num segundo momento houve um impacto no setor bancário como um todo, o impacto das expectativas negativas”, disse.
Para este ano, o banco pretende continuar centrado na área de crédito corporativo, com atenção especial às empresas de médio porte, com faturamento anual entre R$ 30 milhões e R$ 250 milhões, e na estruturação de operações no mercado de capitais para seus clientes. “Queremos ampliar a participação dessas empresas em nosso portfólio, que hoje está em 11%, mas deve chegar a 17%”, afirmou Sinzato.

