Isaura Daniel
São Paulo – A indústria brasileira quer produzir e exportar mais sucos de frutas. Para isso, porém, vai precisar da ajuda dos fruticultores do país. O Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançaram ontem (07) um programa para integrar produtores e agroindústrias e com isso melhorar e aumentar a produção de sucos, néctares e polpas. O Brasil produz atualmente 35,3 milhões de toneladas de frutas, das quais apenas 17 milhões são processadas na indústria nacional.
De acordo com o presidente do Ibraf, Moacyr Saraiva Fernandes, o Brasil fatura US$ 75 milhões com exportação de sucos, polpas e néctar de frutas. A meta estabelecida para 2010 é de US$ 200 milhões. Um dos primeiros passos do programa lançado ontem será fazer um diagnóstico da agroindústria do setor. "Queremos ver onde estão os gargalos e deficiências", diz Fernandes. Antes de fomentar a criação de novas agroindústrias, o programa vai verificar a possibilidade de recuperação de empresas que estão paradas ou que necessitam de mais tecnologia para se tornar competitivas.
Outra ação prioritária será criar um compromisso entre produtores de frutas, a indústria primária, que faz a polpa, e a indústria final, que faz o suco. Um exemplo do desencontro entre estes dois setores pode ser visto na indústria de sucos de pêssego. De acordo com Fernandes, a indústria tem uma demanda de 14 mil a 15 mil toneladas de néctar de pêssego por ano e a maior parte é importada. O Brasil, porém, produz pêssego em abundância na região sul do Rio Grande do Sul. O país também importa em grandes qualidades polpa de pêra e suco concentrado de maracujá. As duas frutas também são produzidas no país.
O programa também pretende trabalhar na formação de mão-de-obra voltada para o setor. De acordo com o Fernandes, serão apresentadas ao Ministério da Educação e universidades brasileiras as necessidades de recursos humanos que a fruticultura brasileira tem. "Precisamos de profissionais adequados", afirma o presidente do Ibraf. De acordo com Alessandro Teixeira, presidente da ABDI, agência que trabalha em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a fruticultura é muito importante para o governo brasileiro. "Estamos agregando valor a este setor", diz Teixeira.
De acordo com Teixeira, há demanda para o suco brasileiro no exterior. "Além dos mercados tradicionais, como Estados Unidos e União Européia, há outros que vêm crescendo como o Leste Europeu. Também o mercado asiático e o árabe têm boas possibilidades", diz o presidente da ABDI . É necessário, porém, fazer um trabalho de adequação de produtos para esses mercados, segundo Teixeira.
De acordo com ele, por isso mesmo, o programa vai começar na ponta da fruticultura, trazer mais para perto dos produtos entidades como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O projeto terá investimentos de R$ 1,2 milhão no primeiro ano. Metade dos recursos virá do governo federal e a outra metade do setor privado.
Brasil das frutas
O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor mundial de frutas. Ele perde apenas para a China e a Índia. O mercado mundial de frutas cresce 14% ao ano, de acordo com informações da ABDI. O Brasil também tem uma meta estipulada para as exportações de frutas. Atualmente elas estão em US$ 440 milhões ao ano, mas devem chegar a US$ 1 bilhão em 2010, segundo Fernandes, do Ibraf.
Os valores citados na matéria não englobam o setor de suco de laranja, cujos números são muito maiores. O Brasil é o maior exportador de suco de laranja no mundo. O setor gera divisas de US$ 1,5 bilhão para o país.

