Isaura Daniel
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São Paulo – O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, prometeu vir ao Brasil neste ano atendendo a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Al-Assad recebeu o convite por meio de uma carta de Lula entregue pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que se encontrou com o presidente sírio na segunda-feira (11) durante um giro pelo Oriente Médio. O rei da Jordânia, Abdullah II, com quem Amorim esteve ontem (12) também recebeu o convite de Lula e afirmou que espera poder atender o pedido, segundo informações publicadas na Petra News Agency. Celso Amorim já esteve na Arábia Saudita, Síria e Jordânia e ainda vai visitar a Palestina e Israel.
De acordo com informações do embaixador interino do Brasil em Damasco, o ministro encarregado de negócios, Sérgio Taam, na visita de Amorim à Síria foram identificadas áreas onde pode haver cooperação entre os dois países, como ciência e tecnologia. As chancelarias dos dois países devem continuar as conversas para estudar ações que possam ser implementadas a partir da viagem de Al-Assad ao Brasil. A vinda do presidente sírio ao Brasil será uma retribuição à viagem de Lula ao país árabe em 2003. "O presidente da Síria nunca esteve no Brasil e o Brasil é o país em que há maior número de sírios fora da Síria. O Brasil é um interlocutor político de peso na região", disse Taam.
Um dos principais objetivos da viagem de Amorim ao Oriente Médio é colocar o Brasil a disposição para ajudar no estabelecimento da paz na região. A mensagem já foi transmitida pelo chanceler brasileiro a todos os líderes árabes com os quais se encontrou até agora. Na Síria esse também foi um dos temas da conversa de Amorim com Al-Assad. "O Brasil abriga comunidades árabes, israelenses, palestinas, conversa com todos estes países com igual facilidade. O Brasil, por ser um país que tem tradição de paz com os seus vizinhos, por prezar a paz, se dispôs a cooperar quando for necessário", disse Taam.
Na Jordânia, segundo a Petra News Agency, Amorim cumprimentou Abdullah II pelos esforços do país pelo estabelecimento da paz e a segurança no Oriente Médio e o fim do conflito entre israelenses e árabes. Os dois também conversaram sobre cooperação. Segundo a agência de notícias jordaniana, o rei reiterou o seu interesse em reforçar as relações com o Brasil em diversos domínios. O líder da Jordânia afirmou que uma visita sua ao Brasil será uma oportunidade para aumentar os laços e abrir novos espaços para o intercâmbio. Eles chegaram a discutir áreas passíveis de cooperação nos campos econômico, cultural e de investimentos.
Amorim também se encontrou, ontem na Jordânia, com o primeiro-ministro Nader Dahabi. Com o primeiro-ministro jordaniano os temas também foram o processo de paz no Oriente Médio e a cooperação econômica. Dahabi chamou o setor privado a verificar possibilidades de investimento e comércio com o Brasil. Amorim afirmou que o país tem interesse na região devido à presença de comunidades árabes no Brasil e a importância dela para a paz e a estabilidade mundial. O chanceler também esteve com o ministro de Negócios Estrangeiros da Jordânia, Nasser Judeh.
A Jordânia
A Jordânia é o segundo maior exportador de fosfato do mundo e tem reservas de minério, petróleo e gás. Apesar disso, o país árabe não exporta grandes volumes ao Brasil. No ano passado foram US$ 8,2 milhões, principalmente de alumínio, adubos e fertilizantes. O Brasil vendeu para a Jordânia, em 2007, produtos como aeronaves, carnes, açúcares, alumínio, veículos e café. O valor das exportações ficou em US$ 284 milhões. O comércio dos dois países foi de US$ 292 milhões no ano passado. Houve aumento de 150% nas exportações brasileiras para a Jordânia e de 48% nas vendas jordanianas ao Brasil.

