Murilo Ramos e Marcos Chagas, da Agência Brasil
Damasco (Síria) – A menos de um mês do Brasil assumir uma cadeira temporária no Conselho de Segurança das Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, em jantar oferecido pelo presidente sírio em Damasco, a ocupação de territórios palestinos, a manutenção e a expansão de assentamentos, que taxou de “inaceitáveis”.
Lula apoiou a iniciativa árabe de paz, que, segundo ele, oferece alternativas convergentes para um estado palestino independente. “O direito de um povo exercer soberania sobre seu território é inalienável”.
Além disso, Lula afirmou que o Brasil defenderá, por meio de voto, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas a devolução à Síria das Colinas de Gola, atualmente sob o controle de Israel. Lamentou a guerra no Iraque e cobrou maior envolvimento da ONU e Estados Árabes no esforço de reconstrução daquele país.
O presidente brasileiro defendeu, inclusive, a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, contando com representantes de países em desenvolvimento entre os seus membros permanentes. “Somente, assim, terá a legitimidade indispensável para que as suas ações sejam efetivamente respeitadas”, disse. No entanto, salientou que o Brasil quer uma vaga no Conselho mesmo que não tenha direito a poder de veto.
O assessor especial da Presidência da Republica para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ressaltou que a Síria foi “muito simpática” ao pleito do Brasil de assumir posto permanente no Conselho de Segurança.
Por último, o presidente brasileiro reforçou as ligações culturais entre os povos da Síria e do Brasil. “Minha visita retraça a viagem que muitos sírios fizeram em direção ao Brasil, em busca de novas perspectivas de vida”, completou.
Tensão histórica
Bashar Al-Assad, por sua vez, lembrou que há 50 anos a situação entre israelenses e árabes tem piorado. “Tudo isso produto da ocupação de territórios árabes por parte de Israel e de sua negativa quanto à aceitação dos requisitos da paz justa e abrangente", discursou.
O presidente sírio destacou que as políticas de escalada e extremismo adotadas pelo governo de Israel e as agressões contra o povo árabe na Palestina, Líbano e Síria poderão resultar nas mais graves conseqüências.
Ele afirmou que o povo sírio tem expressado o desejo de que a paz no Oriente Médio seja restabelecida, com base nas resoluções da legalidade internacional e nos princípios da
Conferência de Paz de Madri, celebrada há mais de dez anos. Ressaltou, também, que o povo iraquiano vive em situação dura e carente das condições de uma vida digna, após a ocupação
americana e britânica. “Prevalace um ambiente de caos, distúrbio e falta de esperança”.
Bashar Al-Assad propôs que o povo iraquiano volte a ter o direito de controlar o destino do país (auto-determinação) o mais rápido possível para cumprir suas missões.

