Da Agência Brasil
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu um novo contrato social mundial, para combater a fome e a miséria, durante a conferência "Making globalization work for all" ("Fazendo com que a globalização trabalhe para todos"), promovida pelo Ministério da Fazenda britânico,
realizada em Londres, na Inglaterra. A mensagem do presidente foi apresentada aos participantes do evento por meio de uma mensagem gravada.
O presidente disse que a comunidade internacional corre o risco de não alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio, pois segundo ele, os recursos estão aquém do necessário. "Muitos países não conseguirão alcançar
tais objetivos, a despeito de seus esforços, a menos que se multipliquem substancialmente os recursos internacionais destinados a eles", afirmou.
Em seu discurso, o presidente reforçou que é preciso dar prioridade à cooperação internacional para enfrentar o desafio de se eliminar a fome do mundo. "Precisamos mobilizar a vontade política e aumentar os recurso para
erradicar a fome e a extrema pobreza, promover a educação, uma melhor qualificação profissional e a saúde nos países em desenvolvimento", defendeu.
O presidente voltou a afirmar que vê no combate à fome um elemento fundamental na luta contra a exclusão e a desigualdade internacional, e um passo indispensável no caminho de maior justiça social, crescimento sustentável, desenvolvimento humano e paz para todos os países do mundo. Segundo ele, o Brasil está fazendo a sua parte e "pode fazer muito mais, trabalhando em conjunto com seus parceiros internacionais".
Lula falou sobre a criação de um grupo técnico para examinar propostas sobre mecanismos alternativos de financiamento para combater a fome no mundo. A criação do grupo foi acertada em reunião realizada no final do mês passado, em Genebra, com o presidente da França, Jacques Chirac; do Chile, Ricardo Lagos; e o secretário-geral da ONU, Koffi Anann.
Uma das propostas trata da taxação sobre certas transações internacionais e determinados fluxos financeiros, "sobretudo aqueles que se valem de paraísos fiscais". Outra medida citada pelo presidente é a criação de um "Mecanismo Internacional de Financiamento", do Ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, que tem como objetivo dobrar o volume de ajuda financeira oferecido pelos países ricos às nações pobres.
O presidente defendeu ainda a eliminação dos subsídios aos produtos agrícolas nos países mais ricos. "Talvez a maior contribuição que possamos dar hoje para ajudar a resolver o problema da fome no mundo seja a eliminação dos subsídios aos produtos agrícolas nos países mais ricos",
ressaltou.

