Isaura Daniel
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São Paulo – O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez ontem (25), na 62ª Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, um chamado para que os países em desenvolvimento trabalhem juntos para combater o aquecimento global. "O Brasil propôs em Nairobi a adoção de incentivos econômico-financeiros que estimulem a redução do desmatamento em escala global. Devemos aumentar igualmente a cooperação sul-sul, sem prejuízo de adotar modalidades inovadoras de ação conjunta com países em desenvolvimento. Assim, daremos sentido concreto ao princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. É muito importante o tratamento político integrado de toda a agenda ambiental", afirmou o presidente brasileiro.
Lula propôs no final de 2006, durante a Conferência das Partes sobre o Clima, em Nairóbi, no Quênia, a criação de um fundo para estimular ações de combate a desmatamentos e a queimadas no mundo em desenvolvimento. O discurso de Lula, na abertura do encontro da ONU, foi um grande apelo ao mundo para a adoção de medidas que impeçam o avanço do aquecimento global. O presidente brasileiro falou que os países mais industrializados devem dar o exemplo e cumprir os compromissos estabelecidos no Protocolo de Quioto. Mas lembrou também do compromisso das nações em desenvolvimento. "Também os países em desenvolvimento devem participar do combate à mudança no clima", disse Lula.
O presidente brasileiro afirmou que há necessidade de estabelecer metas mais ambiciosas a partir de 2012 pela preservação do meio ambiente. Lula disse que o Brasil vai lançar em breve o seu Plano Nacional de Enfrentamento às Mudanças Climáticas. Ele lembrou que nos últimos anos o Brasil reduziu pela metade o desmatamento da floresta amazônica e que o país não abdica, em nenhuma hipótese, de sua soberania e de suas responsabilidades sobre a Amazônia. Os resultados, disse Lula, são frutos da presença cada vez maior do estado brasileiro na floresta, promovendo o desenvolvimento sustentável – econômico, social, educacional e cultural – dos mais de 20 milhões habitantes da região.
"Estou seguro de que nossa experiência no tema pode ser útil a outros países", disse Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente afirmou que o mundo precisa adotar uma nova matriz energética e que os biocombustíveis são vitais para construí-la. O Brasil é o maior produtor de etanol, combustível limpo feito no país a partir da cana-de-açúcar, que vem sendo adotado por vários países para reduzir as emissões de poluentes na atmosfera. Lula lembrou que além de reduzirem as emissões de gases de efeito estufa, os biocombustíveis pode ser uma solução social para várias regiões pobres do mundo. "O etanol e biodiesel podem abrir excelentes oportunidades para mais de uma centena de países pobres e em desenvolvimento na América Latina, na Ásia e, sobretudo, na África", disse.
Além proporcionar autonomia energética sem necessidades de grandes investimentos, a produção de biocombustíveis, segundo Lula, pode gerar emprego e renda e favorecer a agricultura familiar. Os biocombustíveis são feitos a partir de plantas, como é o caso do etanol em relação ao milho e à cana, e do biodiesel em relação, por exemplo, à soja. O presidente falou que o Brasil pretende organizar uma conferência internacional sobre o tema em 2008 para lançar as bases de uma cooperação mundial na área. Também propôs a realização, em 2012, no Brasil, de uma nova Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, como a Rio-92, que ocorreu no Rio de Janeiro em 1992.
Cooperação
O presidente Lula falou ainda sobre a necessidade da criação de uma nova ordem internacional, onde os países em desenvolvimento tenham mais espaço. Lula se referia principalmente ao aumento no número de membros no Conselho de Segurança da ONU pleiteada pelo Brasil e outros países em desenvolvimento. Ele lembrou que o Brasil já vem trabalhando pela criação dessa nova ordem mundial, fomentando a cooperação sul-sul. "Temos atuado para aproximar povos e regiões, impulsionando o diálogo político e o intercâmbio econômico com os países árabes, africanos e asiáticos, sem abdicar de nossos parceiros tradicionais", disse Lula em Nova York.
Encontros
Além da participar da Assembléia da ONU, o presidente do Brasil teve encontros com outros chefes de estado. Ontem ele esteve com o presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, com o presidente da Indonésia, Susilo Yudhoyono, e com o presidente da França, Nicholas Sarkozy. Lula se encontrou com Abbas no final da manhã, após seu discurso na reunião da ONU, e discutiu assuntos da agenda bilateral.

