São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou nesta quinta-feira (30), na 17ª Cúpula da União Africana, em Malabo, na Guiné Equatorial, a disposição do Brasil em cooperar para o desenvolvimento da África, especialmente nas áreas de energia e agrícola. A ANBA noticiou na quarta-feira que o discurso ocorreria na sexta, conforme informada por sua assessoria, mas, na realidade, sexta-feira Lula tem compromisso agendado em Angola.
“É total a disposição do Brasil em cooperar com o desenvolvimento da infraestrutura, em particular na geração de energia elétrica a partir de usinas hidrelétricas e também com a transferência de tecnologia na produção de etanol e de energia elétrica a partir da biomassa”, disse Lula, que foi ao evento como convidado e representante de sua sucessora no governo brasileiro, a presidente Dilma Rousseff. A íntegra do discurso foi disponibilizada pela assessoria do ex-presidente.
Ele destacou que o continente africano cresce rapidamente e que a classe média na região saltou de 111 milhões de pessoas para 310 milhões em 30 anos, “com um acelerado processo de urbanização que exigirá mais infraestrutura de energia, saneamento, habitação e transportes”.
O ex-presidente acrescentou que “o Brasil tem interesse em compartilhar sua tecnologia na área agrícola, tanto empresarial quanto na agricultura familiar”. Durante seu governo, o País lançou iniciativas nesse sentido. “A relação com a África é estratégica para o Brasil”, declarou.
Ao falar sobre os esforços de aproximação feitos durante seus dois mandatos, Lula ressaltou que o comércio do Brasil com a África saiu de US$ 5 bilhões em 2002 para US$ 20,5 bilhões em 2010.
Sobre o tema da conferência, que é "O fortalecimento da juventude para o desenvolvimento sustentável”, o ex-presidente disse que ele é “muito oportuno, especialmente porque 60% da população africana tem menos de 25 anos e o continente passa por um acelerado processo de urbanização”.
Para Lula, é preciso “tratar a juventude não como um problema, mas como uma solução”. Ele destacou o sucesso de políticas para a juventude realizadas em seu governo e acrescentou que, segundo pesquisa da Fundação de Inovação Política da França, feita em 25 países, “a juventude brasileira é a segunda mais otimista do mundo em relação ao próprio futuro”.
“O jovem tem um imaginário particular e suas próprias necessidades objetivas e subjetivas, que devem ser contempladas por políticas públicas específicas, que lhe assegurem direitos e oportunidades”, declarou o ex-presidente. “A sua capacidade (dos jovens) de mobilização pelas grandes causas do progresso e justiça é inigualável”, acrescentou.
Vale lembrar que manifestações de jovens desencadearam os protestos que culminaram na queda, este ano, dos ditadores da Tunísia e do Egito e no conflito civil que ocorre na Líbia, todos países do Norte da África.
Reformas
Lula voltou a defender reformas nos órgãos multilaterais, especialmente no Conselho de Segurança da ONU. “Os países em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção dos organismos multilaterais. Sem isso não haverá efetiva mudança e crises maiores serão inevitáveis”, disse, lembrando da recente crise financeira internacional.
Para ele, é inadmissível que a África e América do Sul não tenham assentos permanentes Conselho de Segurança. O Brasil pleiteia um dessas eventuais vagas. “Precisamos de uma ONU capaz de negociar um cessar fogo e uma saída pacífica para a crise da Líbia”, destacou.
Nesse sentido, o ex-presidente agradeceu ao apoio dos países africanos para a eleição do brasileiro José Graziano da Silva como novo diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), ocorrida no último domingo. Graziano foi ministro da Segurança Alimentar no primeiro mandato de Lula.
“Essa foi uma reafirmação da cooperação Sul-Sul, essencial para combater a insegurança alimentar que ainda afeta quase um bilhão de pessoas em todo o mundo”, afirmou. “A eleição de Graziano é um trunfo dos países em desenvolvimento em reconhecimento do crescente papel que desempenham em um mundo cada vez mais multipolar”, acrescentou.

