São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará no Catar, país árabe do Golfo, nos dias 14 e 15 deste mês, como parte de uma viagem internacional que vai incluir também a Rússia e o Irã. Lula vai retribuir a visita feita pelo emir catariano, Hamad Bin Khalifa Al Thani, ao Brasil em janeiro deste ano, quando foram assinados acordos entre grandes empresas dos dois países.
A viagem de Lula, a segunda ao Oriente Médio somente este ano, terá uma forte ênfase nas relações econômicas, pois o presidente será acompanhado por uma delegação empresarial, vai ser realizado um seminário sobre negócios e investimentos e um workshop sobre destinos turísticos no Brasil e na Argentina.
O seminário, organizado pelo Itamaraty, Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Ministério dos Negócios e Comércio do Catar e Associação dos Empresários Catarianos, vai reunir representantes de companhias dos dois países. Ele deve ser dividido em cinco temas: infraestrutura, energia, agronegócio, investimentos e turismo.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações brasileiras ao Catar renderam US$ 34 milhões no primeiro semestre deste ano, um aumento de 61% em comparação com o mesmo período de 2009. Os principais itens embarcados foram minério de ferro, frangos, transformadores elétricos e carne bovina. Embora seja um país pequeno, o Catar tem uma economia em crescimento e uma das rendas per capita mais altas do mundo.
Na área de turismo, a Embratur e o Instituto Nacional de Promoção Turística da Argentina (Inprotur) vão fazer ainda uma apresentação para profissionais do setor do Catar. A ideia é aproveitar a inauguração, em junho, do vôo da Qatar Airways de Doha para São Paulo e Buenos Aires, para promover os principais destinos dos dois países sul-americanos. No caso do Brasil, segundo a Embratur, os destaques serão Rio de Janeiro, São Paulo, Foz do Iguaçu, Amazônia e Bahia.
Acordos
Os memorandos de entendimentos anunciados durante a visita do emir ao Brasil foram firmados pela Qatar Holding, braço executivo do fundo soberano do país árabe, com a mineradora Vale, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O objetivo era prospectar, em parceria, oportunidades de investimentos no Brasil e no exterior.
De acordo com o embaixador do Brasil em Doha, Ânuar Nahes, os convênios estão caminhando. Desde janeiro, segundo ele, representantes do Banco do Brasil e do BNDES já estiveram no Catar para dar andamento aos entendimentos.
Nahes acrescentou que, na visita de Lula, vão ser assinados acordos de cooperação entre os dois governos nas áreas de turismo, cultura, entre agência de notícias oficiais (Agência Brasil e Qatar News Agency), além de um memorando de entendimentos entre a Biblioteca América do Sul-Países Árabes (Bibliaspa) e a Biblioteca Nacional do Catar. Outros acordos podem ser assinados por instituições privadas.
Na seara política, Lula deverá conversar com o emir sobre os conflitos no Oriente Médio e a pretensão do Brasil de ter uma maior participação nas negociações de paz. O presidente já esteve este ano em Israel, Cisjordânia e Jordânia, onde conversou sobre o tema com as autoridades locais, e, depois do Catar, vai ao Irã.
Como membro temporário do Conselho de Segurança da ONU e postulante a um assento permanente, o Brasil defende a ampliação do número de interlocutores nas negociações no Oriente Médio, especialmente a inclusão de países em desenvolvimento, e o diálogo entre todas as partes envolvidas direta ou indiretamente nos conflitos.
No caso específico do Irã, a diplomacia brasileira defende mais diálogo sobre o programa nuclear do país, ao invés da aplicação imediata de novas sanções pelo Conselho de Segurança.
Na avaliação de Nahes, a visão do Catar nesse tema não difere muito da brasileira.

