Brasília – Com um discurso baseado na crise financeira mundial, na necessidade de reformular instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), construir uma nova ordem internacional e nas mudanças climáticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu hoje (23) a Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Lula disse que é imprescindível refundar a economia mundial e defendeu a reforma dos organismos financeiros. "Os países pobres e em desenvolvimento têm de aumentar a participação na direção do FMI e do Banco Mundial. Sem isso, não haverá efetiva mudança e os riscos de novas e maiores crises serão inevitáveis."
Ele disse ainda que, mesmo passados 12 meses da deflagração da crise financeira internacional, a maioria dos problemas de fundo não foram enfrentados. "Há enormes resistências em adotar mecanismos efetivos de regulação dos mercados financeiros." E acrescentou que há recaídas protencionistas e que pouco se avançou no combate aos paraísos ficais. Ele ressaltou que o Brasil foi o primeiro país a sair da crise.
A necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU, com a inclusão de novos membros, também foi colocada pelo presidente Lula. "Não é possível que as Nações Unidas e seu conselho de segurança sejam regidos pelos mesmos parâmetros que se seguiram à segunda guerra mundial." O Brasil defende a reforma do conselho e pleiteia uma vaga permanente.
Lula defendeu uma ONU fortalecida para enfrentar conflitos como os do Oriente Médio, entre palestinos e israelenses, que dê ajuda efetiva ao Haiti e que se comprometa com o renascimento africano.
Sem citar os Estados Unidos, o presidente Lula disse que sem vontade política persistirão "anacronismos" como o embargo econômico Cuba. Ele também repudiou a deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, e pediu a volta do hondurenho ao poder. Zelaya está refugiado desde segunda-feira na embaixada brasileira em Tegucigalpa.
Sobre meio ambiente, Lula fez críticas à resistência dos países desenvolvidos em assumir suas responsabilidades para reduzir as mudanças climáticas. "Eles não podem lançar sob os ombros dos países pobres e em desenvolvimento responsabilidades que lhes são exclusivas”. Ele cobrou que seja exigido dos países desenvolvidos metas de redução de emissões de gases poluentes mais expressiva do que as atuais.
Segundo Lula, o Brasil tem cumprido seu papel na área ambiental e exemplificou que, em 2009, o país registra o menor índice de desmatamento dos últimos 20 anos e que o Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta. Também falou sobre a produção do etanol, afirmando que a plantação de cana-de-açúcar não ocupa mais do que 2% da terras agricultáveis, não afeta a segurança alimentar e o equilíbrio ambiental brasileiro.
O petróleo da camada pré-sal foi lembrado por Lula. Ele disse que o Brasil será lançado à "vanguarda da produção de combustíveis fósseis", mas que não renunciará à agenda ambiental e buscará se consolidar-se como "potência mundial da energia verde".
Tradicionalmente cabe ao presidente brasileiro discursar na abertura da Assembléia-Geral da ONU, que reúne chefes de estado de 192 países. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que participa pela primeira vez da reunião da ONU, discursou logo após Lula.

