Marina Sarruf
São Paulo – A madeireira catarinense Seleme, fabricante de painéis e molduras para construção civil, está apostando no mercado árabe para diversificar suas exportações. Para isso, o presidente da empresa, Gilberto Seleme, vai participar da missão empresarial de Santa Catarina ao Golfo Arábico a partir do dia 26. O empresário também é vice-presidente para assuntos regionais da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), que organiza a viagem em parceria com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
A madeireira exporta 100% de sua produção, principalmente para os Estados Unidos. A empresa ainda não vende ao mercado árabe e o objetivo da viagem é justamente esse. "Quero fazer contatos na região. Estou indo para levar uma idéia do que produzimos para os árabes", disse Gilberto. A empresa produz com matéria-prima de suas próprias reservas, são três mil hectares de floresta plantada de pinheiros na cidade de Caçador. Além de molduras e painéis, a madeireira fabrica componentes para móveis.
Gilberto também vai representar na missão o curtume Viposa, indústria que pertence ao mesmo grupo da Seleme. A empresa produz couro para calçados, bolsas, cintos, estofados para indústria automobilística, entre outras mercadorias. De acordo com Gilberto, a Viposa produz três mil peles por dia e exporta 70% para diversos países, como Alemanha, Holanda, Dinamarca, França e Canadá.
A Viposa também produz calçados para uso em instalações industriais, como botas, sapatos e tênis. "Vou levar catálogos dos nossos produtos para os árabes conhecerem. Acredito que esses sapatos podem ser muito úteis para os funcionários que trabalham nas refinarias de petróleo", disse Gilberto. A empresa conta três unidades industrias, duas no Mato Grosso e outra em Caçador. O grupo Seleme emprega 1,5 mil pessoas.
Metalurgia
Outra empresa de grande porte que faz parte da missão é a Metalúrgica Duque, com sede em Joinville e há 50 anos no mercado. De acordo com o vice-presidente da companhia, Nagib Daher, filho de libaneses, o principal objetivo da viagem é conhecer o mercado do Oriente Médio e ver o que esses países necessitam no ramo de metalurgia. "Quero fazer uma pesquisa de mercado para saber se é viável vender telas de arame para construção civil", disse.
Segundo Daher, as telas de arame servem para construção de pisos de prédios e estradas e cercas. "A missão cria uma expectativa positiva para aumentar o comércio brasileiro com os países árabes, porque hoje o mercado brasileiro está muito voltado para a China e Estados Unidos", afirmou.
Além de telas de arame, a Duque produz peças de reposição para bicicletas, prateleiras para geladeiras e fogões. "Vendemos para multinacionais instaladas no Brasil", disse Daher. Segundo ele, as exportações da empresa são feitas de forma indireta, porque as peças são embarcadas dentro das geladeiras e fogões, por exemplo. No entanto, ele estima que cerca de 10% da produção é destinado ao mercado externo. A metalúrgica produz três mil toneladas de peças por mês e emprega 700 funcionários.
Missão
Representantes de 10 empresas e entidades setoriais vão participar da missão empresarial catarinense ao Golfo Arábico. Com o objetivo de conhecer o mercado de construção e buscar novos negócios na região, a Câmara Árabe e a Fiesc vão levar os empresários para o Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar.
A viagem vai contar com rodadas de negócio, visitas às embaixadas, às principais construções de cada país e à Big 5 Show, maior feira de material de construção do Oriente Médio, em Dubai, nos Emirados.

