Alexandre Rocha
São Paulo – O grupo Al Ahram (As Pirâmides), maior empresa de mídia do Egito, estuda a possibilidade de desenvolver alguma atividade editorial no Brasil. "Estamos discutindo maneiras de fazer uma parceria na área cultural, principalmente na publicação de livros", disse ontem (06) o presidente do conselho da companhia e editor-chefe do jornal Al Ahram, Ibrahim Nafie.
Nafie esteve até ontem no Brasil liderando uma delegação de jornalistas egípcios. Durante sua passagem pelo país ele falou sobre a possibilidade de parcerias "com algumas pessoas". "A idéia é trazer alguns livros para cá, voltados para os descendentes e para quem tenha interesse na cultura árabe", disse.
Antes de chegar ao Brasil, o grupo esteve no México e na Venezuela. Ontem eles seguiram para a Argentina e depois vão visitar o Chile. O objetivo é fazer artigos e reportagens mostrando um pouco desses países antes da cúpula dos chefes de estado árabes e sul-americanos. Durante almoço oferecido ontem pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB) falou-se também na possibilidade de uma parceria entre o Al Ahram e a ANBA.
Na segunda-feira os jornalistas estiveram em Brasília e entrevistaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Luiz Fernando Furlan (Indústria e Comércio Exterior).
Nafie disse que o encontro com Lula foi "muito interessante". "Estávamos interessados principalmente na cúpula", afirmou. "As duas regiões ficaram afastadas durante muito tempo e essa é a hora certa para ocorrer a cúpula. Trata-se de um novo jogo para o futuro das relações sul-sul", acrescentou. A entrevista com o presidente será publicada na sexta-feira na edição em árabe do Al Ahram.
Na visão do jornalista, por muito tempo os árabes e sul-americanos voltaram suas atenções para os Estados Unidos e a Europa. "Mas não falávamos entre nós", disse. Para ele, a falta de diálogo entre os países em desenvolvimento pode criar problemas no futuro. "Se o país continua pobre, as outras nações perderão o interesse. Ninguém quer falar com os pobres", acrescentou.
Nafie disse ainda que a realização da cúpula está sendo levada em "alta consideração" pelos governos dos países árabes. "A maioria dos líderes virá e o tamanho das delegações será muito satisfatório", afirmou.
A companhia
Fundado em 1876, o Al Ahram é o jornal mais antigo do Egito e, com uma tiragem de 1,2 milhão de exemplares, é hoje o maior diário do mundo árabe. Ao todo 10,5 mil pessoas trabalham no grupo, sendo 1,5 mil nas 15 publicações. Além do jornal, a empresa edita semanários em inglês e francês e revistas femininas, juvenis, sobre economia, política, esportes, entre outras.
Entre as atividades do conglomerado há ainda uma agência de publicidade, uma empresa de distribuição, operações no segmento de informática e um centro de estudos políticos e estratégicos, considerado o mais importante do gênero na região.
O jornal tem ainda uma edição internacional, que é impressa em Londres, Frankfurt e Nova York, e uma versão destinada à região do Golfo Arábico, publicada na Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.
Nafie, de 71 anos, é formado em direito, ocupa o cargo de editor-chefe do Al Ahram desde 1979 e assumiu a presidência do conselho do grupo em 1984. Além disso ele é presidente da Federação dos Jornalistas Árabes e membro da Assembléia Shoura, equivalente egípcio do Senado.

