Isaura Daniel
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São Paulo – As exportações do agronegócio brasileiro para os países árabes cresceram 17% no mês de setembro sobre o mesmo mês do ano passado. Nos primeiros nove meses do ano elas aumentaram 16% se comparadas ao mesmo período de 2006. Foram US$ 417 milhões enviados em produtos agrícolas e pecuários no último mês e US$ 3,45 bilhões entre janeiro e setembro. Nos dois períodos, carnes e açúcar lideraram a lista de produtos exportados. "A carne passou a ser o primeiro item da pauta no acumulado do ano", diz o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr.
Em setembro, os produtos do complexo sucroalcooleiro foram os mais exportados, com US$ 206 milhões e crescimento de 23% sobre o mesmo mês do ano passado. As carnes vieram logo em seguida, com aumento de 6,76% no valor exportado, que alcançou US$ 157,7 milhões. Entre janeiro e setembro, porém, a carne foi o principal produto da pauta, com US$ 1,5 bilhão e crescimento de 30,59%. Sarkis lembra que o mercado árabe já era tradicional para a carne de frango brasileira e agora os volumes de exportação de carne bovina também vêm aumentando significativamente.
O complexo sucroalcooleiro foi o segundo item do agronegócio vendido aos árabes entre janeiro e agosto, com US$ 1,2 bilhão. Neste caso, porém, houve uma queda de 6,44% no valor motivada pela baixa nos preços do açúcar. Em volume, as exportações do complexo para os árabes, que são basicamente de açúcar, aumentaram 21%, de 3,9 milhões de toneladas para 4,7 milhões de toneladas. Ou seja, o Brasil exportou 800 mil toneladas a mais para os árabes. Em setembro também o aumento das vendas dos produtos do complexo sucroalcooleiro, em volume, foram bem maiores que em valor: 64%.
De acordo com o analista de mercado do setor sucroalcooleiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wellington Silva Teixeira, os preços do açúcar estão em queda em função do excesso de oferta mundial. "O mundo está produzindo mais do que consome", diz o analista. De acordo com ele, no mercado brasileiro, por exemplo, o açúcar teve queda de 37% no preço de um ano para cá. Muitos países, segundo ele, aumentaram as suas produções e estão importando menos, caso da Índia, Tailândia e México. Isso fará com que, neste ano, em vez de exportar 21 milhões de toneladas de açúcar, conforme previsto, o Brasil vai vender no mercado externo um pouco mais de 19 milhões de toneladas.
O mercado árabe, porém, não chegou a diminuir os volumes importados do Brasil até agora. De janeiro a setembro, e também no mês de setembro individualmente, o país árabe que mais comprou produtos do complexo sucroalcooleiro do Brasil foi os Emirados. Foram US$ 283 milhões, com alta de 32% sobre os mesmos meses de 2006. O volume, porém, cresceu 88%, para 1,1 milhão de toneladas. Nesse valor e volume, estão inclusos 39 mil metros cúbicos de alcool, do tipo carburante, importado do Brasil pelo país.
O segundo maior importador árabe do complexo sucroalcooleiro do Brasil foi a Arábia Saudita, com compras de US$ 196 milhões, crescimento de 6%. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o aumento das importações sauditas de açúcar do Brasil deve-se em função da expansão das refinarias do país. "A Arábia Saudita é o principal fornecedor desse produto (açúar refinado granulado) para outras nações, como Filipinas", informa nota da Unica. O país árabe também foi o principal comprador de carne do Brasil entre janeiro e setembro, com importações de US$ 437 milhões. O segundo foi o Egito, com US$ 300 milhões.
A Arábia Saudita foi o maior importador de produtos do agronegócio brasileiro em geral entre janeiro e setembro, com US$ 715 milhões. O segundo foi Emirados, com US$ 636 milhões, e o terceiro Egito, com US$ 541 milhões. Entre os produtos, além da carne e complexo sucroalcooleiro, estão entre os principais da pauta também complexo soja, produtos florestais, café, animais vivos e fumo. De acordo com Sarkis, as exportações do agronegócio para os árabes devem crescer entre 17% e 18% no ano de 2007.
Um bom mercado
As exportações do Brasil como um todo para a Liga Árabe, incluindo os produtos do agronegócio e industriais, também cresceram entre janeiro e setembro deste ano. Elas saíram de US$ 4,53 bilhões nos primeiros nove meses do ano passado para US$ 5,2 bilhões no mesmo período deste ano. O aumento foi de 15,6%. Em setembro, as vendas ficaram em US$ 628 milhões, com alta de 10,5% sobre o mesmo mês de 2006.

