São Paulo – Mitzi Gurgel Valente da Costa já morou em países como Japão, Taiwan, Austrália, Chile, Espanha, Estados Unidos, Uruguai, Inglaterra e Arábia Saudita. E foi neste último que, ao ajudar o pai, então embaixador do Brasil naquele país, a organizar uma feira de negócios, se sentiu atraída pela diplomacia. Entrou na carreira em 1978 e, agora, pela primeira vez, assume o cargo de embaixadora. Desde 25 de fevereiro, ela é a ocupante do cargo mais alto da embaixada brasileira em Mascate, Omã.
"Eu gostaria de incrementar e muito o comércio bilateral entre Brasil e Omã", disse em entrevista à ANBA, durante visita realizada nesta segunda-feira (18) à sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, na qual foi recebida pelo secretário-geral da entidade, Michel Alaby.
"Omã está em um período de expansão e eu acho que o Brasil pode se inserir muito bem", destaca. "É um prazer, por exemplo, ir ao supermercado e ver produtos da Perdigão e da Sadia sendo vendidos. Há interesse deles (os omanis) em aumentar essa troca de mercadorias", ressalta, ao falar sobre os setores em que vê mais oportunidades para o aumento das exportações brasileiras ao país árabe. Mitzi também aponta o setor de petróleo e gás como uma área de boas possibilidades para o Brasil.
Ao relatar os desafios do novo posto, Mitzi fala com entusiasmo sobre sua interação com o povo de Omã. "É um mundo muito diferente e eu gosto muito desse mundo. Eu acho que é uma experiência única você poder interagir com pessoas com um modo de vida e um modo de pensar muito diferente do brasileiro", destaca.
A embaixadora ressalta ainda que o fato de ser mulher não coloca obstáculos ao seu trabalho em Omã. "Eu acho que Omã é um país aberto nesse sentido, eles não têm restrições quanto a mulheres diplomatas ou chefes de posto. Eu acho que o fato de ser mulher não deve atrapalhar a nossa interação."
Quando o assunto é trabalho, ela mostra que o comércio é apenas uma das áreas em que pretende focar seu trabalho. "Eu acho que, culturalmente, também nós temos muitas semelhanças e muitos traços de união com os países árabes", diz. "Em Omã, especificamente, o futebol é uma paixão deles, da mesma forma que é uma paixão nossa. Já foi feito uma vez, e poderíamos continuar a levar times de futebol, a levar a nossa cultura, como samba, capoeira", detalha. Mitzi conta que também irá trabalhar para aumentar o número de turistas brasileiros que visitam Omã e vice-versa.
Ainda nesta segunda-feira, a embaixadora teria reuniões na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e nas empresas Embraer, Brasil Foods e Camargo Corrêa.
"A Embraer já tem um contrato de vendas de aviões para Omã e está agora participando de uma concorrência para a venda de aviões de vigilância", conta Mitzi sobre a pauta de sua reunião com a fabricante de aeronaves. "A própria Oman Air, eventualmente, poderia ter interesse em comprar os aviões menores de passageiros porque são uma empresa pequena", revela.
Sobre seu encontro com a fabricante de alimentos Brasil Foods, que reúne as marcas Sadia e Perdigão, ela relata que há interesse de importadores omanis em comprar salsicha halal, produto que ainda não é comercializado pelo Brasil em Omã. Já na construtora Camargo Corrêa, ela irá discutir possibilidades de expansão no trabalho de infraestrutura no país árabe.
Comércio bilateral
Em 2010, as exportações brasileiras para Omã renderam US$ 151 milhões e foram lideradas, principalmente, pela venda de carnes e miúdos, além de ferro fundido. Já no primeiro trimestre deste ano, a venda de aeronaves ao país árabe puxou as exportações, que já renderam um total de US$ 110 milhões.
Por outro lado, as exportações de Omã para o Brasil somaram US$ 12,17 milhões em 2010, quando os principais produtos comprados do país árabe foram adubos, fertilizantes, plásticos e pedras para construção. Nos três primeiros meses de 2011, as vendas para o Brasil já alcançaram os US$ 12 milhões.

