Dubai – Mais de 30 empresas brasileiras participam da Gulfood, principal feira da indústria alimentícia do Oriente Médio, que começa hoje (23) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A 14ª edição do evento vai reunir mais de 3,3 mil companhias de 75 países. O Brasil conta com cinco pavilhões que agrupam empresas dos setores de carne bovina, frangos, frutas, doces, massas, biscoitos, café e bebidas. O evento segue até quinta-feira (26).
No estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em parceria com o Ministério da Agricultura participam 12 empresas, sendo que a maioria já exporta para o mercado árabe e busca ampliar as exportações. Um dos setores que começou a investir nos países árabes recentemente é o de doces, como balas, caramelos e chocolates, que conta com seis empresas na feira.
No ano passado, as exportações do setor para o mercado árabe somaram US$ 6,85 milhões, o que representou um aumento de 19% em relação a 2007. Mesmo assim, de acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Getulio Ursulino Netto, as vendas para a região representam apenas 3% do total das exportações do setor. “Nossa meta é conseguir um aumento de 15% nas vendas para região entre dois e três anos”, afirmou o presidente, que está em Dubai.
De acordo com ele, essa é a primeira vez que a Abicab participa de um evento no Oriente Médio e a idéia é promover uma rodada de negócios em Dubai no próximo ano. “Daqui [de Dubai] dá para expandir para outros mercados”, disse Netto.
Outro setor que aposta no mercado é o de carne de frango, que em 2008 exportou US$ 2 bilhões para os árabes. “O Oriente Médio representa um terço das exportações brasileiras de carne de frango e o Brasil tem grandes chances de continuar aumentando as vendas para o mercado árabe”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Francisco Turra, que também está em Dubai.
A Abef é uma das entidades que conta com um pavilhão próprio na Gulfood e traz diversas empresas do setor. De acordo com Turra, a feira ocorre num momento de transição, preocupação e desanimação da economia mundial. “No entanto, o Brasil soube manter a qualidade, a sustentabilidade e os padrões que condizem com a exigência do consumidor árabe. Somos muito competitivos”, acrescentou.
Para promover a carne bovina, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) também está com um pavilhão próprio na feira com diversas empresas, inclusive com a rede de churrascaria Barbacoa, que oferece aos visitantes a degustação do famoso churrasco brasileiro.
Outro pavilhão brasileiro é do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), que traz entre as novidades para o mercado árabe o açaí, fruta típica do Brasil, que é rica em nutrientes e é antioxidante. A novidade já virou até notícia no press release da Gulfood, que aproveitou para divulgar a participação brasileira no evento.
Crescimento da feira
Nesta edição, a feira é realizada num espaço de 80 mil metros quadrados, um crescimento de 20% em relação a 2008. Mais de 700 novos expositores de países como Rússia, Islândia, Afeganistão, Bulgária, Etiópia, Hong Kong, Paquistão e Palestina. Segundo o diretor-geral da feira, Al Marri, em nota publicada pela Gulfood, o crescimento da feira aumenta na mesma linha que o mercado da indústria alimentícia no Oriente Médio. “É uma prioridade e necessidade do Dubai World Trade Centre”, afirmou o diretor, que se referiu à empresa organizadora da mostra.
Segundo dados da feira, as importações do setor de alimentos do bloco do GCC, que inclui Arábia Saudita, Emirados Árabes, Omã, Barhein, Kuwait e Catar, somam mais de US$ 10 bilhões por ano, o que desperta o interesse de cada vez mais empresas.
Paralelamente à Gulfood, ocorrem outros eventos como o Restaurant & Café Middle East, que mostra as últimas inovações em equipamentos, decoração e serviços para hotéis, restaurantes e bares; o Ingredientes do Oriente Médio, que pela primeira vez será realizado na feira, com o objetivo de divulgar os ingredientes de fornecedores de matéria-prima para alimentos, bebidas e comidas saudáveis; e o Emirates International Salon Culinaire, concurso de chefs que vão preparar pratos sofisticados.

