Alexandre Rocha, enviado especial
Cairo – Mais de 400 empresários árabes e sul-americanos já estão inscritos para participar dos eventos empresariais paralelos à cúpula dos países árabes e sul-americanos. A informação foi dada ontem (27) pelo chefe do departamento de promoção comercial do Itamaraty, Mario Vilalva.
O diplomata está fazendo uma espécie de "roadshow" pelos países árabes para promover os encontros empresariais. Ontem ele esteve na sede da Associação de Empresários Egípcios (EBA, da sigla em inglês) e conversou com representantes do setor privado do Egito que estarão no Brasil durante a cúpula.
Vilalva falou do seminário empresarial e da Feira de Investimentos que vão ocorrer em Brasília. Já o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Michel Alaby, deu detalhes da programação que será realizada em São Paulo, também com um seminário e rodadas de negócios.
Até ontem, 15 empresários egípcios haviam confirmado participação na delegação que estará em Brasília e em São Paulo. O líder do grupo será Asharaf El Attal, dono da Egyptian Traders Co., uma empresa que atua com o comércio de commodities, que é consul honorário do Brasil em Alexandria e coordenador do Conselho Empresarial Brasil-Egito.
De acordo com ele, os empresários que já confirmaram presença estão interessados em comprar e vender e representam o setores de commodities em geral, cimento e equipamentos elétricos.
"Em primeiro lugar é preciso criar um diálogo e, ao mesmo tempo, saber o que precisa ser feito pelos empresários", disse ele sobre suas expectativas em torno da missão.
Durante a passagem do grupo por São Paulo haverá também uma reunião do conselho empresarial. Nela serão discutidas uma série de questões, como o acordo de preferências tarifárias que o Mercosul negocia com o Egito e a possibilidade de assinatura de um tratado para evitar a bitributação entre os dois países.
"O objetivo do conselho é promover o comércio bilateral", disse El Attal. De acordo com ele, a meta do orgão é auxiliar para que o o comércio entre o Brasil e o Egito chegue a US$ 1 bilhão até 2010, sendo 30% representados pelas exportações egípcias e 70% pelos embarques de produtos brasileiros.
Em 2004, as exportações brasileiras para o Egito somaram US$ 623,4 milhões. Na mão contrária, porém, os embarques renderam apenas US$ 33,4 milhões.
Na avaliação de El Attal, alguns produtos egípcios que podem ter boa aceitação no mercado brasileiro são os fertilizantes, o cimento, o algodão e matérias-primas para a indústria química.
De acordo com ele, as exportações egípcias de cimento giram em torno de 10 milhões de toneladas por ano. No caso dos fertilizantes, o empresário disse que as exportações representam pouco, mas haverá disponibilidade de produto para embarcar 4 milhões de toneladas anuais dentro de dois ou três anos.

