São Paulo – Mais de 600 mil sírios deslocados voltaram para suas casas nos sete primeiros meses deste ano, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência das Nações Unidas. De acordo com o levantamento feito pela OIM com ajuda de entidades e organismos parceiros, 84% das pessoas que retornaram eram deslocadas dentro da própria Síria ou refugiadas na Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque.
Entre os que voltaram, 27% disseram estar retornando para proteger seus bens e propriedades e 25% afirmaram que a situação econômica melhorou na sua região de origem. Eles também citaram como motivos da volta a melhoria da segurança no lugar de onde vieram (11%), a piora da economia do local onde estavam em refúgio (14%), além de problemas envolvendo questões sociais, culturais e políticas na região onde estavam morando (11%).
No ano passado, metade dos retornos foram para a região de Aleppo e o mesmo foi observado neste ano. A pesquisa mostra que 405,4 mil sírios voltaram para a cidade, 27,6 mil para a região de Idleb, 75,3 mil para Hama, 45,3 mil para Raqqa, 21,3 mil para a região rural de Damasco e 27,8 mil para outras áreas.
A pesquisa descobriu também que 97% voltaram para suas próprias casas. Entre os demais, parte vive como hóspedes, parte em casas abandonadas e outros em alojamentos alugados. Deles, cerca de 80% dos repatriados disseram ter acesso a alimentos e artigos domésticos, mas nem metade tem acesso à água e proporção parecida não tem serviços de saúde.
Apesar do movimento de retorno, a OIM afirma que a Síria continua a ter altas taxas de deslocamento. Entre janeiro e julho, o número de pessoas que deixaram suas casas foi bem maior que a quantidade que voltou: 808,6 mil. Algumas saíram dos locais em que estavam vivendo pela segunda ou terceira vez. No total há mais de 6 milhões de deslocados do país.
A OIM afirma que os retornos são espontâneos, mas não necessariamente seguros ou sustentáveis e não podem ser considerados uma solução durável.


