Isaura Daniel
São Paulo – O embarque de mais de 30 mil cabeças de gado do Rio Grande do Sul para o Líbano despertou o interesse de novos importadores árabes. Neste final de semana foram enviados 13 mil bois vivos para o Líbano por meio do Porto de Rio Grande, que fica no sul do Rio Grande do Sul. Foi o terceiro embarque que ocorreu na região desde o início do ano.
De acordo com o presidente da Associação Rural de Pelotas, Elmar Carlos Hadler, depois que as vendas começaram, mais quatro tradings internacionais se interessaram pela compra. Uma delas é da Jordânia e outra dos Emirados Árabes Unidos. Segundo Hadler, ingleses e uruguaios também fizeram consultas sobre a possibilidade de fornecimento.
Os contatos foram feitos com a Associação Rural de Pelotas, mas são apenas iniciais. Os potenciais compradores não chegaram a manifestar a necessidade de volume e datas. "Estamos conversando", diz Hadler. De acordo com o pecuarista, isso demonstra que há espaço para mais gado vivo brasileiro no mercado internacional.
Do lado árabe, as vendas para o Líbano foram feitas por meio de uma trading da Jordânia chamada Livestock. O primeiro embarque, de cerca de 9 mil bois em pé, ocorreu no mês de março, e o segundo, de aproximadamente 10 mil animais, em maio. O terceiro e último embarque foi concluído neste final de semana. Ainda não há novas vendas definidas, mas, de acordo com Hadler, os pecuaristas da região sul têm interesse em dar continuidade ao processo.
A Associação Rural de Pelotas congrega os produtores responsáveis pelo fornecimento dos bois. Os animais enviados nos últimos dias são bezerros com peso entre 150 e 280 quilos, de raças européias e cruzas de raças européias com zebuínos, como angus, charolês, hereford, braford e brangus. No Líbano eles ficarão em confinamento e engorda até chegarem aos 450 quilos, peso ideal para o abate. Os animais não são castrados, o que é garantia de carne magra, a mais procurada no mercado árabe.
Os embarques para o Líbano foram os primeiros, de bois vivos, feitos pelos pecuaristas da região sul. "É um novo nicho de mercado que se abriu", diz Hadler. Foi a Associação Rural de Pelotas quem ficou sabendo que os árabes importavam os animais do Uruguai e foi atrás do negócio.
Qualidade
De acordo com Hadler, uma das exigências dos árabes era de que os animais fossem de raças européias. As raças européias, segundo o presidente da entidade, garantem uma carne de qualidade. "A qualidade e a sanidade do rebanho foi levada em conta pelos árabes na hora de optar pelo nosso gado", afirma.
De acordo com o pecuarista, o sul do Rio Grande do Sul investe bastante na área de genética bovina. Além de iniciativas dos próprios produtores rurais, há os núcleos e associações de criadores de raças trabalhando pelo melhoramento das raças. Hadler afirma que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Secretaria Estadual da Agricultura têm feito um trabalho importante na área de sanidade animal.
Os animais foram vendidos para o Líbano por US$ 1,60 o quilo. Os frigoríficos locais estão pagando ao redor de US$ 1,65 o quilo, mas por novilhos, ou seja, animais mais velhos, já prontos para o abate, com cerca de 450 quilos. De acordo com Hadler, levando em conta o tempo que ainda teriam que ficar na engorda, o negócio com os libaneses ficou mais vantajoso para os pecuaristas. "A exportação também contribuiu para melhorar o preço pago pelos frigoríficos", afirma. Há um mês, os abatedouros locais estavam pagando US$ 1,40 pelo quilo do novilho.
Do lado Brasileiro, quem intermediou a venda para os pecuaristas gaúchos foi a empresa de comércio internacional Angus Trading. No navio-curral Bader III, onde os bois viajaram, também foram levados ovinos do Uruguai. Hadler afirma que, além do Uruguai e Brasil, a jordaniana Livestock compra animais vivos também de outros países como Austrália, México e Canadá.
Contato
Associação Rural de Pelotas
Telefone: +55 (53) 3223-0224
Site: www.associacaoruraldepelotas.com.br

