São Paulo – Empresários brasileiros dos setores de alimentos, construção e eletroeletrônicos, que ainda não exportam para o mercado árabe e têm interesse de entrar na região, participaram ontem (15) do workshop “Conheça o Mercado Árabe”, promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. A necessidade de diversificar os produtos embarcados aos árabes foi um dos temas abordados no evento.
De acordo com o gerente de Desenvolvimento de Mercados da Câmara Árabe, Rodrigo Solano, cerca de três quartos das exportações brasileiras aos países árabes são commodities. "Por que não diversificar?", perguntou Solano aos participantes. Açúcar, soja, carnes e minérios estão entre os principais itens embarcados.
Rubens Peres Jr., gerente de vendas da Acrilex, fabricante de tintas acrílicas, participou do workshop para saber mais informações sobre o mercado que ele está começando a prospectar. Na próxima semana, o gerente vai estar em Dubai, onde já tem alguns encontros agendados para saber das facilidades de reexportar de Dubai as tintas brasileiras para outros países da região. A empresa já exporta para 35 países e tem sede em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo.
Outra empresa presente no evento foi a New Millen, de suplementos alimentar. De acordo com o diretor-executivo da companhia, José Dantas, o mercado árabe está começando a ser trabalhado agora. No início de novembro, ele vai participar da feira de alimentos Saudi Agro Food, na Arábia Saudita, que receberá uma missão brasileira organizada pelo Ministério da Agricultura.
Segundo Dantas, a New Millen já está em negociação com duas empresas árabes, uma dos Emirados Árabes e outra do Marrocos. O contato com o importador dos Emirados se deu nas rodadas de negócios promovidas pela Camara Árabe, na feira Equipotel, em São Paulo. O comprador já pediu amostras de achocolatados em pó e embalagens em árabe. Nos planos da empresa também já está incluída a participação na Gulfood, feira de alimentos de Dubai, que será realizada em fevereiro.
Capacitação
Entre os temas abordados pelos palestrantes do workshop, a capacitação das empresas, que é qualificação do produto, certificação e profissionais preparados, foi o assunto mais comentado. "O problema da comunicação é muito sério. A empresa precisa estar preparada para exportar", afirmou a coordenadora do departamento de Comércio Exterior, Francisca Barros, que citou a dificuldade dos brasileiros em falar o idioma inglês, por exemplo.
A supervisora do departamento de Certificação da Câmara Árabe, Simone Cássia Rojas, também falou sobre essa dificuldade. "Não podemos certificar um documento que chega em português", disse ela, que muitas vezes recebe na entidade documentos sem estar traduzidos.
No workshop, os palestrantes abordaram ainda temas como o potencial econômico dos países árabes, costumes, hábitos e planejamento estratégico para entrar no mercado. Mandar e-mails, por exemplo, não é a melhor maneira de começar uma relação com um árabe. "Eles preferem olho no olho ou até um telefonema", disse Solano.
Entre os participantes do evento também estavam representantes da Emirates Airlines, da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea) e da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O mesmo workshop será dado nos meses de novembro e dezembro na Câmara Árabe.
Para mais informações:
Departamento de Marketing Câmara Árabe
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E-mail: marketing@ccab.org.br

