São Paulo – O Grupo Marfrig, produtor brasileiro de alimentos, vai se desfazer de operação de logística no Oriente Médio. A companhia comprou, na metade do ano passado, a empresa norte-americana Keystone Foods, que além de produzir e comercializar alimentos à base de aves, bovinos, peixes e suínos, também tem um braço de distribuição no Oriente Médio, Estados Unidos, Europa, Oceania e Ásia. A operação nas cinco regiões será vendida para a The Martin-Brower Company, dos EUA.
As informações foram divulgadas durante teleconferência do Marfrig nesta terça-feira (20) e, de acordo com o diretor executivo de Estratégia Corporativa e de Relações com Investidores do grupo, Ricardo Florence, o negócio deve acontecer ainda no quarto trimestre deste ano, depois de aprovado por órgãos legais. O valor da venda será de US$ 400 milhões e o dinheiro será usado pela companhia para reduzir o seu endividamento. A dívida bruta consolidada do Marfrig estava em R$ 10,3 bilhões no final de junho.
A área de logística e distribuição da Keystone Foods teve, de acordo com Florence, receita entre US$ 500 milhões e US$ 550 milhões, de um total de US$ 2,7 bilhões. “A companhia julgou que não faz parte do seu negócio principal o serviço de distribuição e logística”, afirmou Florence. De acordo com ele, com a venda o Marfrig demonstra o foco no seu negócio principal, que é o de proteínas.
De acordo com o CEO do Marfrig, Marcos Molina, quando o grupo assumiu a Keystone Foods já tinha como foco crescer em proteína. “Não tinha sinergia com as outras atividades”, explica, sobre a operação vendida. A área de distribuição da Keystone é voltada para alimentação rápida e atende principalmente restaurantes do McDonalds. Ela, inclusive, não distribui apenas a carne, mas é responsável pelo armazenamento, composição de pedidos e entrega loja a loja de todo tipo de produto, desde copos descartáveis até embalagens de sanduíches e refrigerantes.
A Martin-Brower já é prestadora de serviço da Marfrig no Brasil e atua como operador logístico. Molina garantiu que o Marfrig não vai perder, com a venda, espaço junto ao McDonalds, já que, segundo ele, a cadeia mesmo quer sinergia, cada um com foco no seu negócio. A logística da Keystone não distribuía somente os produtos do Marfrig, mas também outras empresas fornecedores do McDonalds. “Na Europa, 99% era de outros produtores”, disse Molina.
O grupo brasileiro informou que também deve se desfazer de outra operação que não tem como foco principal a proteína, um terminal portuário privativo em Santa Catarina, para o qual, segundo Florence, já há comprador. Essa, porém, deve ser a única outra grande venda da empresa para reduzir a dívida. Além disso, segundo Molina, o Marfrig pretende focar em sinergia e redução de custo. Uma das medidas para melhorar o desempenho será o aumento da proporção de produtos industrializados vendidos.

