Casablanca – O Marrocos foi o último país árabe visitado pelo ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, que coordenou a missão empresarial brasileira ao norte da África. O regime de governo no país é a monarquia, cujo rei Mohammed VI assumiu o trono em julho de 1999, promovendo ações em diversas áreas para melhorar o ambiente de negócios e a qualidade de vida dos cerca de 30,5 milhões de habitantes.
Os efeitos do esforço aparecem lentamente, ao lado de obras de infraestrutura, saneamento e de construção de casas. Pelas ruas de Casablanca, a segunda maior cidade depois da capital Rabat, muita gente sobrevive do emprego informal, vendendo flores, frutas ou pequenas mercadorias. Outros, no entanto, têm bom padrão de vida, tocam seus empreendimentos e desfrutam de boas moradias e de carros novos de alto valor.
A brasileira Rafaela Viegas, casada com um diplomata e que mora em Rabat há três anos, considera os marroquinos alegres, carinhosos e atenciosos, virtudes semelhantes aos brasileiros. Ela disse que nunca teve problemas no país em função das restrições impostas às mulheres por causa da religião muçulmana.
“Há situações em que os homens não falam comigo. Apenas com meu marido. Se chamo um encanador para consertar a descarga do banheiro, por exemplo, ele nem olha para mim e só segue as orientações dadas por meu marido. Se houver uma fila, os homens podem passar à frente, enquanto as mulheres têm que aguardar a sua vez. Mas são costumes culturais, que a gente acaba se adaptando”, relatou.
Quanto ao uso de lenço na cabeça e roupas compridas, Rafaela conta que as adolescentes marroquinas já não fazem uso da vestimenta, mas que não deixam de freqüentar as mesquitas para a reza, nem de seguir o Ramadã, que é o jejum em períodos estabelecidos pela religião.
A vida noturna em Casablanca segue os moldes da França. Há vários “cafés” e boates com alta freqüência. Na madrugada, quando chega a hora de fechar os estabelecimentos, os funcionários, seguem a tradição árabe. Param de servir bebidas e tira-gostos, desligam a música e batem palmas várias vezes para lembrar os freqüentadores que é hora de ir para casa.

