Isaura Daniel
São Paulo – O Marrocos aumentou em 79% as suas exportações para o Brasil nos cinco primeiros meses deste ano. O país árabe, que fica no Noroeste da África, faturou US$ 123,9 milhões com vendas para o mercado brasileiro no período contra US$ 69,2 milhões nos mesmos meses do ano passado.
O aumento foi impulsionado principalmente pela comercialização de naftas para petroquímica. As naftas são usadas pela indústria fabricação das resinas, como o polietileno, poliuretano e polipropileno.
O Brasil comprou US$ 42 milhões de naftas para petroquímica dos marroquinos entre janeiro e maio. No ano passado, a indústria brasileira não comprou o produto do Marrocos. Em 2003 e 2002, porém, o Brasil já tinha comprado naftas do Marrocos, mas em valores menores, entre US$ 24 milhões e US$ 26 milhões.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), Michel Alaby, o Brasil está buscando outras alternativas de fornecedores de petroquímicos entre os países árabes.
Isso não significa, porém, que o país está deixando de comprar dos tradicionais fornecedores árabes. As exportações de naftas para petroquímica da Argélia, país da região que mais vende o produto ao Brasil, também cresceram 42% no período. Os argelinos faturaram US$ 105 milhões com os envios da mercadoria ao mercado brasileiro no período contra US$ 74 milhões do mesmo período de 2004.
A lista de fornecedores árabes de naftas para petroquímica, porém, ganhou dois novos nomes no começo deste ano: Marrocos e Síria. A Síria também não exportou o produto para o Brasil em 2004. Também a Líbia aumentou as suas vendas de US$ 8 milhões nos cinco primeiros meses de 2004 para US$ 21 milhões nos mesmos meses de 2005.
O Brasil importou um total de US$ 196,8 milhões em naftas para petroquímica dos países da Liga Árabe até maio, com aumento de 115% sobre os mesmos meses de 2004.
Mais fosfato
Além da nafta, outros produtos favoreceram o aumento das exportações do Marrocos para o Brasil, caso do ácido fosfórico, cujas vendas passaram de US$ 19 milhões para US$ 33,7 milhões, e do fosfato de cálcio, que saiu de US$ 7 milhões para US$ 11 milhões.
Produtos de menor valor também entraram para a pauta. As azeitonas, por exemplo, não figuravam na lista de produtos vendidos pelo Marrocos ao Brasil entre janeiro e maio de 2004. Neste ano entraram, apesar de ainda com faturamento tímido: US$ 145 mil.
De acordo com Alaby, vários fatores estão colaborando no aumento das exportações do Marrocos para o mercado brasileiro, entre eles a visita de delegações marroquinas ao Brasil e a vinda do rei do Marrocos, Mohammed VI, ao país em novembro do ano passado, além do trabalho da representação diplomática e comercial do país no Brasil.
Um dos esforços das embaixadas e também da CCAB é justamente para que o comércio entre o Brasil e os países árabes cresça nas duas vias, tanto em importações quanto em exportações. "O comércio do Brasil com o Marrocos ainda é favorável ao Brasil, mas estamos encontrando espaço para aumentar as importações", afirma Alaby.
No ano passado, o Brasil exportou US$ 348,9 milhões aos marroquinos e importou US$ 241 milhões, o que gerou um superávit de US$ 107,9 milhões para os brasileiros. O principal produto vendido pelo Brasil ao Marrocos foi o açúcar.
Marrocos
O Marrocos possui dois terço das reservas de fosfato do mundo e é o maior exportador do produto. O país abastece 31% do mercado mundial, de acordo com dados da CCAB. O Marrocos também é membro da União Africana, da Unidão do Magreb e da Organização Mundial do Comércio, além da Liga Árabe.
A população local é de 31 milhões e o Produto Interno Bruto (PIB) é de US$ 54,2 milhões. As principais indústrias são de alimentos, têxteis e de produtos minerais.

