São Paulo – A melhoria da gestão orçamental e a diversificação da economia devem ajudar o Marrocos a crescer mais em 2017. Relatório preliminar feito por equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI) no final de viagem ao país aponta que esses dois fatores vão reforçar a capacidade de crescimento do Marrocos, cujo Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 4,4% no ano que vem, frente a uma evolução de 1,5% a 2% neste ano.
A equipe do FMI, liderada por Nicolas Blancher, esteve no país entre os dias 16 de novembro e 01 de dezembro para fazer análise do desempenho econômico do Marrocos e revisar o acordo da Linha de Precaução e Liquidez (PLL), crédito que o organismo dá países em crise e que foi concedido ao país em um acordo de julho de 2014, no valor de US$ 3,5 bilhões.
No relatório divulgado nesta quinta-feira (1), a equipe do FMI parabeniza o país pela reforma da Previdência feita recentemente e a melhoria nas finanças públicas previstas no projeto de orçamento do ano que vem.
Blancher afirma que o Marrocos foi beneficiado pela continuidade das políticas macroeconômicas prudentes e reformas estruturais, além da evolução dos preços do petróleo favorável ao país. “A melhoria da gestão fiscal e a diversificação da economia reforçaram a sua capacidade de resiliência”, afirmou o chefe da missão.
Ele lembra, porém, que ainda há muito a ser feito para que haja um crescimento maior, sustentável e mais inclusivo. O desemprego é elevado no país, principalmente entre os jovens, e é preciso melhorar a qualidade do ensino, o funcionamento do mercado de trabalho, a participação das mulheres nele e o ambiente empresarial.
Apesar do dinamismo de novos setores, a economia e a balança de transações correntes foi prejudicada neste ano pelo aumento das importações de alimentos e de bens de capital, e pela queda no preço do fosfato, produto exportado pelo Marrocos. O país também teve problemas na colheita, mas a equipe do FMI afirma esperar que o setor agrícola se recupere.
Segundo organismo, o país segue tendo riscos elevados de crescimento associados ao contexto internacional, como os preços mundiais da energia, as tensões geopolíticas da região e a volatilidade dos mercados financeiros globais.
A equipe do FMI afirma que apoia a intenção do governo de iniciar uma transição gradual para um regime cambial mais flexível e adoção de metas de inflação. O organismo acredita que isso possibilitará uma maior inserção na economia global, preservando a competitividade do país e reforçando a capacidade de absorção de choques externos.


